Sinta a imensidão da vida,
Se admire com a pequenhez das coisas,
Sorria do vento te levando por aí,
Se encante com a natureza a seus pés,
Voe passarinho!
Pensamento
"Onde quer que o homem vá , verá somente a beleza que levar dentro do seu coração" . Ralph W Emerson
Bem, sou uma eterna romântica,nunca quis um príncipe, quis sempre viver histórias de amor, por isso muitas vezes amei sozinha e me enchi de plenitude andando nas nuvens , sonhando... bati em vários postes e caí de cara no chão. Vai lá que doeu, me levantei e sacudi a poeira, continuei a acreditar no amor, pois eu o tinha dentro de mim, mesmo que por vezes amor negativo, dolorido, ele foi meu caminho de reconstrução diante de cada perda e transformação.
Hoje, renascendo na minha Revolução Solar, tenho meu coração em festa, uma sensação tão boa de ver tanto carinho dos amigos, de meus clientes, que se tornam amigos, até dos desconhecidos que partilham muito de si nas minhas comunidades. Hoje eu renasço colhendo doces frutos de todo um caminhar em buscar de distribuir parte do que aprendi de bom pela vida. É tempo de agradecer a todos aqueles que me deram tanto, até àqueles que me disseram não, aos que me guiaram e os que de alguma forma deixaram algo de bom deles comigo. O que sou hoje é resultado de tudo o que ganhei e perdi, mas sobraram o de melhor nessa segunda metade da vida, essa festa interior, que nem precisa de velas para assoprar, de alarde, basta esse pequeno discurso de felicitações que me enche a alma como a de uma menina num parque de diversões.
Suspiro fundo nessa noite fresca, ainda "molhada" da chuva de dor que me rodeia. Minha alma canta uma alegria cheia de lamento, chama a natureza e pede calmaria, compaixão. A gente sabe que é preciso limpar os olhos cegos pela escuridão da ignorância, muitas vezes são nossas lágrimas a lavar a lama da dor. Mas existirão sempre mãos a catar o barro e construir de novo sob uma nova terra e, juntas carregarão órfãos no colo e serão elos de uma grande corrente de fé no ser humano.
Meu coração bate forte, cheio de amor, feliz por mais um ano de vida, pela força e disposição que tive para enfrentar mais uma reviravolta, casa nova, e muitos planos pela frente. Meu horizonte me chama, meu Sol se ergue lentamente, numa preguiça de outono, resvalando pelas folhas frescas de orvalho da manhã, enquanto uma brisa forte traz as ondas até as rochas, espalhando gotas de água salgada a salpicar minha pele, deixando um rastro de sal da terra.
Deixo minha chama interior acesa pela eternidade, a guiar meus passos ainda inseguros diante da minha inconsciência, a iluminar meus pés enquanto caminho em busca de aprendizado sobre quem sou e o que ainda preciso aprender.
Precisamos ser "luz" em essência, luz que guia, que inspira, que dá a luz, que espera e tem esperança. Desistir nunca, mesmo que eu pare e atordoada não saiba por onde ir, o que fazer, sempre poderei mudar e refazer a partir da consciência. Meu espírito quer vida, seja dura, cruel, é meu caminho, mais uma oportunidade de poder ser "vida", estar viva, sentir, pensar, sonhar, desejar, conquistar, serei sempre pela vida!
Tanta liberdade e tão pouca intimidade. Tudo é permitido, a impessoalidade é meio de ser mais um cara-de-pau e o sujeito vira personagem. O mais interessante é que quanto mais as pessoas passaram a ter medo de se mostrar, de se expor à violência urbana, mais dentro das casas, das escolas, da sociedade, existe uma nova violência, o bullying, uma forma de massacre sociopata sobre aqueles que não "colaboram", seja por se excluírem, seja por se diferenciarem na forma da baixa auto-estima.A violência doméstica, consequência das frustrações e da falta de limite que um dos parceiros precisa colocar O assédio sexual por séculos criminoso e latente, se ocultando por trás mesas dos chefes, das paredes das casas e principalmente pela nojenta cumplicidade familiar em negar que são os próprios parentes próximos a cometer esse crime. A pedofilia outra que não mostrava a cara, escondida entre os porões das igrejas, colégios, em becos de tarados pornográficos que exploram a inocência e falta de discernimento de uma criança ou adolescente.Ter personalidade para desenvolver individuação para pela capacidade de se saber quem é, se sentir, se tocar, ser íntimo de si mesmo, saber se aproximar, se definir colado ao outro. Nada mais desestimulante numa apresentação olho no olho e aquela "mão mole-meleca" que tem medo de encostar na gente, indecisa, parece algo inanimado, sem comando, sem desejo, vontade, um horror.
Ainda hoje a escravidão existe, seja a submissão a certo tipo de modismo, seja pelo ofício escolhido onde o processo é de de nunca mais sair depois que entra. É interessante percebermos que a impessoalidade é necessária, esta traz um distanciamento e total isenção de comprometimento afetivo-emocional. Podemos exemplificar as amantes dos sultões e reis, a povoar os Harens, os jardins do palácio, as escravas brancas, as gueixas, prostitutas, políticos, traficantes, ladrões de casaca, etc. Todos viem numa linha imaginária onde se posicionam para sobreviver às intempéries da justiça, e nada mais factual que uma máscara sem o íntimo. Eles não partilham de si mesmo, não doam de si, são mercenários a fim de usufruir do contexto em que se "enfiaram" e manter-se ilesos, vivos até quando podem, raros aqueles que se desgarram da manada e se reconstroem.
Você se constrói a partir do referencial arquetípico que tem dentro de casa, sejam os pais, avós, um grande mestre. A criança segue e imita os heróis da vida dela, venera os que ama, ama por que é amada e também por ter dependência total para sobreviver, aprende a amar, a receber e dar carinho. Umas são abusadas, psíquica, emocional ou fisicamente por aqueles que detém o poder. Quando começam a lutar pela auto-afirmação, é fundamental que haja o miolo firme, esse miolo é a coluna de sustetação do ser humano pela vida afora, o amor que ela recebe, o afeto que cultiva a partir de como é cuidada, confortada e estimulada a sentir-se amada e feliz.
O amor germina tal qual orvalho a umidecer as delicadas pétalas de uma flor, como a carícia de um beijo,como a despertar essa pele com o calor do outro, a percepção da natureza da expressão de afeto. Essa gostosura do contato íntimo, a sensação de frescor de um banho, do roçar de corpos, do bico do seio molhado de leite, se oferecendo para ser sugado com prazer. Tudo é erótico para a criança, mas para aquele adulto que o cuida, acaricia, embala, precisa ser AMOR, puro, limpo, cristalino, respeitoso à total inocência. Desse amor nasce a auto-estima desse ser, que sabe-se amado e protegido.
O feminino tanto no homem como na mulher se converte na capacidade que aprendemos a lidarmos com nosso corpo, nossos desejos, nossas fantasias que afloram tal qual os arrepios e frios na espinha, quando todos os sentidos se eriçam em contato com o mundo exterior. A forma como nos conduzimos frente às nossas sensações e desejos corporais, o valor e naturalidade que aprendemos a identificá-los, muitas vezes castrá-los, reprimi-los e distorcidos, causando limitações quanto ao natural bem-estar, que consequentemente resvala naquilo que definimos como sensualidade, a natural expressão do corpo, a sua condução e convivência,deixando aflorar por entre os panos que o cobrem, uma aura de emanações que o corpo exala e capta olhares de admiração e desejo.
Ser íntimo é que nem a água da correnteza de um riacho que segue seu destino, rumando por onde existe espaço, procurando preencher todo o caminho, lambendo as pedras, provando sabores, experimentando atalhos, se adequando a curvas e sendo receptivo aos que se juntam a ele, somando sensações, que se avolumam e vão se transformar numa gloriosa cachoeira, ruidosa da explosão de sua força do desejo, como um tem descarrilado numa frenética, explodindo em gozo num grande lago profundo e plácido.
Ser pessoal,usar o Eu gosto, Eu quero, Eu desejo, expressar suas vontade, aprovar-se pelo que é, pelo reconhecimento que obtém pelo esforço e dedicação ao que faz, a auto-valorização é um ato que começa que o incentivo amoroso dos pais a ensinar, não cobrando perfeição, mas sim a simplicidade de não saber e a disposição em aprender, vai terminar na atitude de vencer seus limites, e ter claro sua capacidade de mudar as coisas, de produzir. Sem amor, paciência ao lado do filho assistindo aos deveres escolares , sem atenção diárias, a criança germina em solo seco e a ausência de afetuosidade é constante, formando um adulto sem essa relação nutridora que o faz fértil, macio, amoroso ao contato com o outro.
O Desafio consiste em você mostrar como você lida cada um de seus Pecados Capitais e, sinceridade ae!!!
*Gula: Comer a toda a hora e/ou além do necessário;
Essa é dos meus pecados mais íntimos, adoro comer bem, comida bem feita, bem temperada e de qualidade e boa aparência. Não sou de ficar petiscando, de vez em quando castanha de caju, amendoim. E comida tem que sobrar, odeio isso de ficar dividindo quantidade para as pessoas. * Avareza: Cobiça de bens materiais e/ou dinheiro; Isso é meio difícil, odeio pão-duros, mesquinhez, não sou mão-aberta, mas economizo só por necessidade.
* Inveja: Desejar atributos, status, posses e/ou habilidades de outra pessoa;
Acho que quando era mais jovem, eu ficava azedinha quando minhas amigas casavam, devia ser inveja ou frustração, mas nada do tipo ter raiva e rogar praga e destruir o que o outro tem. * Ira: É a junção dos sentimentos de raiva, rancor e ódio. Por vezes é incontrolável; Minha raiva custa para se expressar na forma da ira, nunca bati em ninguém, No máximo tenha raiva de mim quando fico monga e sou passada para trás, de resto só muito da indignação como alavanca de virar o jogo e sair ganhando algo da situação. * Soberba: Falta de humildade, alguém que se acha auto suficiente; Auto suficiência é necessário na minha vida,mas não tenho dificuldade em pedir ajuda, em não saber algo, nenhuma vergonha de perguntar, adoro aprender e tentar mudar, são raras as inflexibilidades. * Luxúria: Apego aos prazeres carnais; Sem apegos, meu prazer começa em lidar com meus desejos, a reação corporal, sem nenhuma dependência, vivo bem sem sexo e muito bem com sexo quando ter pra quem dar prazer e receber. * Preguiça: Aversão a qualquer trabalho ou esforço físico. Minha preguiça só acontece pra fazer exercício físico, preciso de um trator para me puxar pra caminhar, esforço de trabalho, de pagar contas, o resto sempre fazendo alguma coisa e muitos planos pela frente. Quem quiser, leva o Meme (Di Gratis), basta ser um Pecador confesso, uia!
Na quietude da noite fria e cinzenta, ouvindo ao longe os latidos dos cachorros do sítio vizinho, junto ao crepitar da lenha na lareira da sala, o cheiro do chá de capim limão invade minhas narinas e me vem uma paz enorme que me toma o corpo e o peito. Estou só, em meio a montanhas e prados verdes, só a lua se mostra na noite escura rodeada de estrelas espalhadas pelo céu negro e nublado, ela é minha companheira das horas de insônia, quando me arrasto até a minha poltrona favorita e fico admirando a noite através da porta envidraçada .
A névoa chegou na serra e caminha oscilante por entre os pinheiros, o frio é suportável e o fogo interno cria uma atmosfera intimista e me sinto abrigada e protegida. Já se faz tarde, altas horas na madrugada e aqui estou eu a divagar entre a leitura do meu livro favorito do momento e minhas lembranças queridas.
Um sorriso se põe em meus lábios e sorrio de satisfação , vivi muito, hoje sou uma "velha senhora" de 82 anos, a artrite já se faz presente em minhas articulações me deixando mais lenta para caminhar, mas talvez seja uma graça poder ir mais devagar pela vida. Tudo se tornou mais lento, preciso de mais tempo para focalizar em detalhes as imagens, mas quando minha retina capta os tons de uma flor em meio ao capim do pasto, me vejo observando-a com maior deleite, vejo sua graciosidade e elegância perdida entre os tufos do capim alto e tão serena ela , solitária como eu, se faz presente nesse universo.
O caminhar hoje me dá mais dor ao querer ainda me manter com a coluna ereta, dito dos tempos de mocinha quando minha avó ralhava comigo sobre colocar as costas retas e a barriga pra dentro para manter a elegância, a bengala hoje me ampara e me faz charmosa de outra forma, e termino por valorizar mais cada passo que dou cuidadosamente, escolhendo as pedras por onde piso. Olho mais para o chão e percorro o caminho de forma mais verdadeira, sei das pedrinhas, raízes e declíniosdo caminho, minhas pegadas estão mais leves e faço paradas obrigatórias nos banquinhos do jardim.
A respiração ficou mais dificultada, foram anos de nicotina a sacrificar meus pulmões, agora só inspiro perfumes naturais e de vez em quando um Chanel 5 em alguma festa importante. Foram muitos brindes em jantares comemorativos, muitos tin tins entre amigos e agora me inbrio com o cheiro da relva molhada pelo orvalho, pelo odor ocre do excrementos dosanimais no pasto, pelo cálido perfume das rosas brancas que crescem embaixo da janela do meu quarto.
O coração bate mais mansamente, o pulso está mais fino mas não alteraram as minhas emoções, ainda me sinto uma menina quando invento de fazer alguma travessura, ainda consigo arriscar uns passos de dança ao som de um bolero e ainda sou uma ardorosa romântica que passa horas e horas a rabiscar poemas contando o que sei e o que ainda não do amor. Foram alguns amores, uns perdidos pela impaciência, outros cultivados pela inteligência, mas só um guardado para sempre como diamante precioso.
Ah como eu amei, amei aos poucos, fui amando por impulso, depois esperei pelo amor do outro, crente eu que era só o que bastava, só depois percebi que era um amar sem fim, pois o amor do outro me fez o amar mais profundamente e perdendo minha razão, fui me encontrando na emoção desse amor. Tentei explicar muitas vezes, nunca cheguei a grandes conclusões, sempre faltava algo a concretizar nesse amor e mesmo sem exigir eu o queria de forma mais completa e total. Fui amando o que tinha e descobrindo que podia ter mais quanto mais eu amasse e soubesse esperar.
Passei amando e esperando e nunca insatisfeita fiquei porque tive mais do que pensei ter, porque jamais imaginei sentir o que senti e vivia a agradecer por poder ter alguém tão maravilhoso, aos meus olhos apaixonados, para amar. Foram tempos e tempos a sentir seu cheiro em meus lençóis, horas e horas a trocarmos idéias como velhos amigos, quando vezes ficava a acariciar suas roupas com carinho quando ele longe de mim se encontrava, inúmeras expectativas de ouvir sua voz ao pegar o telefone, muitos momentos de nós dois.
Atiço as brasas da lareira e reavivo as pequenas chamas e me vejo nelas, brasa adormecida de amor, amor que carrego em meu coração, amor queme fez dar mais valor à minha vida e a tudo o que fui, sou e serei nessa vida. Ainda não acabou e torço a cada dia por mais um pouco de tempo para poder usufruir da minha história, hoje como lembranças e saudades que acalanto sem dor.
Sou feliz, apesar dos limites impostos, ganhei novas dimensões de ser idosa, cresci mais e amadureci inteira, plena de vida, o grande mistério que me trouxe até aqui e agora.
Lukas me deu esse selinho, ele já sabe da minha chama interna que quer estar sempre acesa. Beijo e obrigada.
Que a sincronicidade da vida que nos uniu numa encruzilhada, nos fez tomar consciência de vida de um e do outro, seja apenas o início de uma troca e soma de nossas coisas. Que possamos aprender e ensinar um com o outro, que a sinceridade e respeito seja o leme de caminho amigo a dois. Lukas, vamos nós em frente, juntos!
Ofereço esse Selo e Declaração de Amizade a:
- Desassossegada
- Pri ♥ ♥ ♥
- Graça
Esse veio do Lukas, meu Anjo, e só tenho a agradecer por ter ele a meu lado nessa Blogosfera que faz a gente encontrar gente de verdade. O bom que tudo é meio que "por acaso" e produtivo. Somos transparentes, gosto disso, dessa coragem, ousadia, é uma pitada de pimenta nos olhos por trás dos óculos escuros de muita gente, incomoda, pinica, coça, mas serve de exemplo de quem , apesar de tudo, se ergue em cima de si mesmo.
Este ofereço a alguém especial, uma amiga que se desnuda sem precisar tirar a roupa. :) - Loira Desassossegada.
O medo é como uma prisão A qual nos acorrentamos, ele é nosso fiel amigo, tão próximo e íntimo que ficar sem ele, talvez seja perdermos essa percepção da vida, tudo bem, uma percepção de alguém frágil e desprotegido que em algum momento se abrigou por debaixo do manto do medo. Aquilo que te aprisiona, te protege. Da mesma forma a Mania é um comportamento condutor de manter o indivíduo "aceso", como se precisasse desse calor extra, dessa dramaticidade para não conviver com a depressão ou sua fuga da vida, do enfrentamento da realidade.
Muito ali originário dos medos infantis, da convivência onde não houvera base que sustentasse essa fragmentação psiquíca e, na maioria das vezes em algum momento o sofrimento emocional rompe a barreira da consciência e derrama as larvas e a dor se faz presente, seja no auto-engano da Mania ou na descida ao tártaro da Depressão.Enquanto uma parte quer se salvar a qualquer custo, se defendendo com a espada de São Jorge, ceifando tudo o que vem pela frente, a outra parte se entrega em desespero profundo, numa fuga alucinada, numa negação da vida, no embotamento e união com a dor.
Essa mente vagueia pela noite escura, pelas sombras da lua, caminha léguas e léguas numa busca insana por compreensão. Tudo é difícil, complexo, há pouca luz da verdade, encoberta pelas nuvens , tolindo o ser humano de enxergar a si mesmo de forma distinta, trazendo forma ao caminho e distanciamento da dor emocional, da marginalidade da doença.
O Sol que reina dentro de nós, que é símbolo de luz, existência, vida, ele renasce a cada manhã, como se fosse a saga de cada indivíduo, buscar a luz, sua identidade, sua individualidade e daí poder saber quem é. Mas o Sol nasce pequenino, sua luz diáfana enquanto dependente, sua inocência é vítima dos abutres que pegam presas fáceis, muitas vezes a luz interior germinará como fonte divina dentro do peito, mas não germinará devido a ausência do Sol. Assim se formam as mentes medíocres, a ignorância que residente a intelectualidade. É quando o indivíduo, diante do conhecimento adquirido, não sabe fazer uso adequado deste, ainda vê o discurso do outro como algo distinto do que a sua mente soberana acredita. Esse homem despreza provas, científicas, distorce Leis, corrompe qualquer coisa que se interponha em seu caminho. Ele só enxerga a si mesmo como um grão de areia e faz destegrão um falso diamante, é o medo da insignificância que o faz ir derrubando a tudo e a todos que possam mais que ele, pois ele não sepercebe, não se enxerga, é somente a sombra dele mesmo , desfigurada pela noite escura, sem propósito, de um zumbi ambulante que despreza os fortes pelo medo da luta.
Seja Sol, brilhe, os desafios te apontam teus limites e redimensionam tuas fortalezas
Brisa morna que envolve o corpo e o deixa a desejar entrar pelo mar adentro se refrescando do calor do dia. O suor escorre pelo rosto enquanto o sol se põe lá no horizonte, por trás das montanhas de pedra e o adeus temporário é permitido enquanto caminho sem rumo.
Relâmpagos cruzam o céu anunciando um espetáculo, trovoadas retumbam forte no ar como fogos de artifício e pingos de chuva caem aqui e ali umedecendo minha pele suada. Fecho os olhos na caminhada para sentir oprazer da água gelada no meu corpo, chuva, lágrimas do céu, que venha me lavar o corpo e limpar minh'alma! Ergo os braços, como se abençoando e agradecendo aos céus por mais essa força da natureza que desce sobre mim e me inunda a alma de prazer.
As roupas colam à pele, me sinto nua diante da transparência visual, a pele se arrepiando com o frescor, me excita o contato e me recordo de músicas que falam da chuva, das danças dos índios para que a chuva viesse até eles, da simpatia das lavadeiras que jogavam um pedaço de sabão no telhado, das enchentes que inundavam ruas e bairros, do mar bravio nas tempestades, do aconchego de uma casa enquanto a chuva bate forte no vidro da janela...
A natureza é um grande mestre para quem a observa e apreende com ela e com certeza se rende a ela. Nosso planeta é um planeta de água, rios, lagos, oceanos se misturam à terra criando desenhos, fertilizando , cultivando e formando mares por onde se navega a esperança. Sem água se morre, seca, nada cresce, tudo se perde. Somos seres de água, nossas células precisam dos líquidos corporais para se reproduzirem e se alimentarem.
A água é condutora, é meio de sobrevivência, é fonte de nutrição e crescimento, é símbolo da fluidez, da emoção, do sentir. É dela que temos sede, sede de vida, sede de sentir a vida fluindo em nosso ser.
As cachoeiras nos lembram as tristezas das lágrimas aos borbotões que em algum momento transbordaram de nossa alma doída.
Os córregos entre os pastos nos trazem a lembrança dos caminhos tortuosos que encontramos pela vida e aos quais nos adequamos diante das pedras que se traduzem em empecilhos. Os pântanos com suas águas mortas, estancadas traduzem nossas mágoas que se fincam entre as raízes e se tornam lodo nos imobilizando e nos acomodando às dores do passado.
A neve se põe leve e branca , cobrindo a paisagem tirando de nós o arco-íris das cores e nos faz compreender a necessidade de nos render e sermos flexíveis em tempos adversos, quando não podemos nos erguer e nos confrontar.
Os grandes rios com suas correntezas nos mostram nossa capacidade de navegar por entre margens, nos dão limites e a necessidade de seguircaminhos sem volta a partir das nossas opções, são tarefas que devemos ir até o fim
Os lagos nos transmitem a placidez da calma, nossos momentos de reflexão quando a parada é necessária, quando nos vemos cercados e precisamos olhar dentro de nós e nos sentir protegidos pela mãe terra.
As fontes de água límpida trazem à luz nossa pureza de espírito, nossa translucidez com as percepções e intuições, a consciência do ser inocente. As ilhas em meio aos mares nos traduzem nossa capacidade de sobrevivência, nossa solidão que nos resgata o Eu e nos faz fortes, capazes de nos nutrir.
Os oceanos nos passam a infinitude do horizonte, nossos sonhos, a profundidade de nosso Eu Interior, nosso inconsciente, o que jaz no fundo do mar, nossos fantasmas, nossos dragões acorrentados às âncoras dos naufrágios emocionais, nossas tragédias, de onde resgatamos o "pra sempre" do que foi e do que virá.
Água santa, água benta, água cristalina, água-viva, água caliente, água mineral, águ-ardente, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Água-Vida.
Que deixemos fluir nossas emoções, que nos deixamos conduzir pelos rios da vida, que sejamos uma ilha e nos demos o prazer de formas arquipélagos e no futuro sermos um continente, que é nossa origem maior.
Dias atrás eu me vi mais uma vez tocada pela tragédia do Haiti, talvez pela grandiosidade do terremoto, e mesmo que a poucos quilômetros daqui, as águas rolaram morro abaixo e despedaçaram-se muitos lares. Pedras rolaram quebrando o clima de festa. No sul também houveram enchentes, em São Paulo e no interior. Netuno anda precisando lavar a terra e, eu com minha Vênus pisciana, adoro chuva e sempre me preocupa com o quanto vai levar de terra na grande correnteza. Mas, passei o fim de semana querendo dizer do que sentia, mas difícil expressar tanta coisa junto que me sensibilizava, até que recebo um e-mail de um amigo, que repassava o desabafo de sua amiga e colega de pós-doutorado e, tinha encontrado o que me mobilizava realmente.
Katia dizia... "Eu tô que não consigo sair do Haiti. Tenho rezado, chorado, cantado, registrado tudo que me assalta nesse horror… Igual à época de Katrina… eu me vejo lá, aqueles sou eu… Eu queria muito não pensar assim, mas não adianta porque eu SINTO assim… num tem jeito."
Dentro de mim estavam todos aqueles desesperados, todo ser humano que em algum momento lhe tiram tudo, lhe deixam a vida e cada um tem que seguir adiante, diante das perdas afetivas, das catástrofes que a natureza traz pra varrer o mundo da gente. Jamais nessa vida vivi algo do tipo, tive perdas dolorosas, mas sei que minha alma já perdeu muito.
Dentro de mim existem uma alma de escravo de ontem e de hoje, o abuso físico, o castigo, o valor de um ser humano tal qual de um animal. Ali o poder do dinheiro comprava serviçais, hoje compra votos, projetos, apoio político, licenças, terras, honra, subimos na escala de valores, só não tem mais castigo.
Da mesma forma o povo indígena foi expulso de suas terras pela barbárie do homem colonizador, do missionário. Vivemos anos e anos vendo filmes de Fortes Apaches cantando a vitória dos americanos, ingleses e franceses, invadindo terras e matando toda espécie de ser humano, como se não fossem eles, os pé no chão, donos da terra.
Muitos foram lutar pelo que acreditavam, expatriados, perseguidos, vagavam pelo mundo no exílio. Outros foram foco de violência brutal de mentes medíocres que buscavam a pureza da raça e envenenavam, tacavam fogo, afogavam, torturavam judeus, homossexuais, ciganos, feiticeiras, prostitutas. Ainda hoje há fogo na língua do homem intelectualizado, jorrando veneno e ácido, criando emboscada nas ruas, na execução de casais gays, ainda ferve nas pistolas em mãos de milicianos a fúria do preconceito ordinário que cobra pra matar.
Candido Portinari retrata o retirante, outro ser que a seca tirou dele a seiva da vida, e ele se arrasta desidratado à procura de uma fonte de sobrevivência no sertão dos coronéis a explorar o homem na lavoura de sol a sol. Até hoje as políticas públicas não irrigam a terra brazillis. Lampião se foi, sobrou Padre Cícero e as várias prisões de trabalho escravo e infantil em meio a tapioca e as cinzas das carvoarias.
Sobram ilhas de terra devastada pelo interior da Amazônia, o fogo mais uma vez cresce lambendo o mato seco para criar vales de céu aberto, sem sombras de árvores. Cada vez mais a razão come a carne quente do animal caçado e abatido a pedradas, como no tempo da pedra lascada, inconsciente coletivo dos Flinstons.
Todos num só, um homem de pé no chão, pobre, ignorante, atado à sua terra, seu mundo cresce do chão, seus deuses pedem rituais, dança, música. Talvez seja cada um destes a origem da força vital da regeneração, esse espírito nunca morre, ele é perene, seja pela história, seja pelo exemplo, ele sobrevive sempre a todas as catástrofes.
Aqui cabe o texto de Danticat.
“Somos feias, mas estamos aqui”
Uma das primeiras pessoas assassinadas em nosso país foi uma rainha. Seu nome era Anacaona e ela era uma índia Arawak. Ela era poeta, dançarina e pintora, também. Ela governava a parte oeste de uma ilha tão exuberante e verde que os Arawaks a chamavam de Ayiti, terra de grandeza. Quando os espanhóis chegaram pelo mar à procura de ouro, Anacaona foi uma de suas primeiras vítimas. Ela foi estuprada e morta e sua aldeia foi saqueada. A terra de Anacaona é agora frequentemente chamada de o país mais pobre do hemisfério ocidental, um lugar de contínua conturbação política. Assim sendo, para alguns, é fácil esquecer que esta nação foi a primeira república negra, terra dos primeiros afrodescendentes a extirparem a escravidão e a criarem uma nação independente, em 1804.
Eu nasci no Haiti durante o regime ditatorial de Duvalier. Quando eu tinha quatro anos, meus pais deixaram o Haiti à procura de uma vida melhor nos Estados Unidos. Eu tenho que admitir que a motivação deles era mais econômica que política, mas como sabem todos que conhecem o Haiti, economia e política estão intrinsecamente relacionadas; em geral, quem está no poder é quem determina se as pessoas terão ou não o que comer.
Eu hoje tenho trinta e quatro anos e já vou vindo mais de dois terços da minha existência nos Estados Unidos. Minhas memórias mais vivas da infância no Haiti envolvem apagões repentinos, os "blakawouts", como dizíamos. Durante os blecautes, eu não tinha como ler, estudar, ou assistir televisão, então eu me sentava perto de uma vela ou de uma lamparina e ouvia histórias contadas pelos mais velhos da casa.
Minha avó era uma senhora da roça que sempre se sentiu deslocada na capital, onde vivíamos. Ela não possuía nada além de suas colchas de retalhos e suas histórias para se consolar. Foi ela quem me contou sobre Anacaona. Eu dividia um quarto com ela, e eu estava no quarto com ela quando ela faleceu. Ela tinha mais de cem anos. Ela morreu com os olhos arregalados; fui eu quem os fechou. Ainda tenho saudades das incontáveis histórias que ela nos contava. Entretanto, não foi difícil aceitar sua morte, porque a morte estava sempre por perto.
Quando menina, eu vivia indo a funerais. Meu tio e tutor era pastor da igreja Batista e esperava-se que sua família fosse a todos os funerais que ele presidisse. Eu fui a todos os funerais com o mesmo vestido de laço branco. Acho que é por ter ido a tantos funerais que eu tenho um forte sentimento de que a morte não é o fim, e que as pessoas que colocamos debaixo da terra estão indo embora viver em algum outro lugar. Mas ao mesmo tempo eu acredito que elas estarão sempre por perto nos protegendo e nos guiando em nossa jornada.
Quando eu tinha oito anos, o cunhado do meu tio passou uma longa temporada trabalhando nos canaviais da Republica Dominicana. Ele voltou mortalmente adoentado. Lembro-me de sua esposa girando penas por dentro de suas narinas e esfregando pimenta do reino na parte superior de seus lábios para fazê-lo espirrar. Ela acreditava piamente que se ele espirrasse, ele sobreviveria. À noite, eu era eu a encarregada de observar o céu acima da casa em busca de vestígios de estrelas cadentes. Diz a sabedora haitiana rural que quando vemos uma estrela cadente é porque alguém vai morrer. Uma estrela caiu do céu e ele morreu.
Lembro-me de na infância ver Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier e sua esposa, Michèle, passarem de Mercedes-Benz atirando dinheiro pela janela para as crianças paupérrimas de nosso bairro. As crianças quase se matavam tentado pegar uma moeda ou ver Baby Doc e Michèle. Em um Natal, deu no rádio que a Primeira Dama distribuiria brinquedos de graça no palácio. Meus primos e eu fomos para o palácio e fomos quase esmagados na multidão de crianças que inundou os jardins do palácio.
Essas histórias e memórias reavivam umas questões que não me saem da cabeça. Qual é o meu lugar agora nisso tudo? Qual era o lugar de minha avó? Qual é o legado das filhas de Anacaona, das filhas do Haiti?
Ao assistir aos telejornais, é sempre difícil dizer se existem mulheres reais vivas e respirando em lugares detonadas por conflitos como o Haiti. Os telejornais da noite só nos fornecem notícias breves sobre golpes presidenciais, imigrantes rejeitados, e sabotagens em eleições. As histórias das mulheres nunca conseguem chegar às primeiras páginas. Mas elas existem, sim.
Ao longo dos anos, eu conheci mulheres que, quando os soldados chegavam em suas casas no Haiti, diziam aos filhos para ficarem deitados paralisados e se fazerem de mortos. Eu conheci uma mulher cuja irmã grávida foi baleada no estômago porque estava vestindo uma camiseta com uma "imagem antimilitar". Eu conheço uma mãe que foi presa e espancada por trabalhar com um grupo pró-democracia. O corpo dela é marcado pelas cicatrizes deixadas pelos cigarros enterrados pelos soldados em sua carne. À noite, essa mulher ainda sente o cheiro das cinzas das guimbas de cigarros que eram enfiadas, acesas, em suas narinas. Na mesma cela, essa mulher viu adidos paramilitares estuprarem sua filha de quatorze anos sob a mira de uma arma. Quando mãe e filha entraram em uma pequena embarcação rumo aos Estados Unidos, a mãe nem desconfiava que a filha estava grávida. Muito menos sabia que sua criança tinha sido infectada pelo vírus HIV contraído de um dos paramilitares que a estupraram. O fruto desse estupro, sua neta, recebeu o nome de Anacaona, como a rainha Arawak, porque essa família de mulheres é de Léogane, a mesma região em que Anacaona foi assassinada, a mesma região em que minha avó nasceu.
A pequena Anacaona possui um rosto que não traz mais qualquer traço de sangue indígena, mas sua história ecoa alguns dos primeiros sanguinários incidentes em uma terra que os tem assistido excessivamente.
Tem um ditado haitiano que talvez não agrade à sensibilidade estética de algumas mulheres. Nou lèd, nou la, que quer dizer Somos feias, mas estamos aqui. Assim como a modéstia característica da cultura rural haitiana, esse ditado é mais caro às mulheres pobres haitianas do que a manutenção da beleza, seja ela superficial ou não. Para mulheres como minha avó, o que vale à pena ser celebrado é o fato de que estamos aqui, que apesar de todas as adversidades, nós existimos. Para mulheres como minha avó, que cumprimentavam umas às outras com este ditado quando se cruzavam ao longo de um caminho de terra lá na roça, a essência da vida está na sobrevivência. É sempre bom lembrar às nossas irmãs que sobrevivemos a mais um dia para atender ao chamado de uma vida muitas vezes dolorosa e muito difícil. É neste espírito que até hoje uma mulher lembra-se de dar à sua filha o nome de Anacaona, um nome que ressoa tanto o esplendor quanto a agonia de um passado que assombra a tantas mulheres, e homens, hoje.
Quando foram escravizadas, nossas antepassadas acreditavam que quando morressem seus espíritos retornariam à África. Mais especificamente, retornariam para uma terra pacífica, a qual chamamos de Ginen, habitada por deuses e deusas. As mulheres que vieram antes de mim eram mulheres que falavam metade de uma língua e metade de outra. Elas falavam o francês e o espanhol de seus colonizadores misturados às suas próprias línguas africanas. Essas mulheres pareciam estar falando em línguas estranhas quando rezavam para seus velhos deuses, os antigos espíritos africanos. Apesar de temerem não serem mais entendidas por suas antigas divindades, elas inventaram uma nova língua para descrever o local que passaram a habitar, uma língua da qual brotaram frases coloridas para atender a circunstâncias desesperadoras. Quando essas mulheres se cumprimentavam, elas se descobriam falando em códigos.
-- Como vai você hoje, irmã?
-- Eu sou feia, mas eu estou aqui.
Hoje em dia, muitas das minhas irmãs se cumprimentam bem distante das terras onde aprenderam a falar em línguas estranhas. Muitas conseguiram chegar a outras partes, depois de viajarem milhas sem fim em alto mar, em precárias embarcações que quase lhes tiraram a vida. Em 29 de outubro de 2002, uma mulher, debilitada pela longa jornada no oceano, ao avistar terra firme teria se atirado na maré baixa. Outras pessoas a seguiram, inclusive meninas e meninos pequenos que preferiram correr o risco de quebrarem um braço ou uma perna a se separarem de seus pais. Estes são apenas alguns dos milhares que chegam às costas estadunidenses ao longo do ano, apenas para serem cercados, algemados, levados presos, e quase sempre devolvidos para o lugar de onde vieram. Há onze anos, uma mulher pulou no mar quando descobriu que sua bebezinha tinha morrido em seus braços em uma jornada que ela tinha esperanças que as levasse de encontro a um futuro melhor. Mãe e filha foram para o fundo de um oceano que já contém milhões de almas da middle passage, o holocausto do comércio de escravos. O sacrifício da mulher levou muitos de nós às lágrimas, mesmo que o acontecido nos fizesse lembrar de um monte de sacrifícios outros, feitos no passado, em nome de todos nós, para que pudéssemos estar aqui.
O passado está repleto de exemplos de nossas antepassadas mostrando tão profunda confiança no mar a ponto de saltarem de navios negreiros e se deixarem acolher pelas ondas. Elas acreditavam ser o mar o princípio e o fim de todas as coisas, o caminho para a liberdade e a passagem para o Ginen. Essas mulheres, mulheres como minha avó que me ensinou a história de Anacaona, a rainha, têm sido parte da construção do meu próprio ser desde que eu era uma menininha.
Minha avó acreditava que se uma vida é perdida, outra vida brota em algum outro lugar, sendo essa nova vida ainda mais forte que a outra. Ela acreditava que uma pessoa não morre, realmente, desde que alguém se lembre dela, alguém que reconheça que esta pessoa, apesar de tudo, estava aqui. Nós somos parte de um círculo sem fim, somo as filhas de Anacaona. Nós envergamos, mas não quebramos. Não somos atraentes, mas ainda assim resistimos. De vez em quando devemos gritar isso o mais distante que o vento puder levar nossas vozes. Nou lèd, nou la! Somos feias, mas estamos aqui.