Pensamento

"Onde quer que o homem vá , verá somente a beleza que levar dentro do seu coração" . Ralph W Emerson

terça-feira, 3 de novembro de 2009

De que Mundo Eu Sou? Serão Eles os Pequenos Abutres?



Faz algum tempo que ando me sentindo à margem desse cotidiano do caos. Se no início de minha adolescência eu era uma concha fechada a 7 chaves com medo da vida, era um zumbi a levitar pelo  ritual de estudos, saídas com amigos, muito rock and roll e dance music. Fui gradativamente tendo que encarar minhas escolhas, vivi crises, fugi de caminhos de sucesso, mas enquanto tinha costa quentes, a vida tinha chão, um falso piso vitrificado que não tinha sido construído com minhas mãos. A solidão era minha companheira junto com os romances empilhados na mesinha de cabeceira, mas eu ainda era uma criança num corpo de mulher, precisei estar só e frágil para que pudesse perceber o que me rodeava de verdade. O mar de gente que desde cedo vinha me mostrando e derramando sobre minha cara suas frustrações e azedumes passaram a ser sentimentos na minha carne emocional.  Eu era um alvo nada fácil, pois raramente fui uma pessoa invasiva, fofoqueira, perdi sim muitos amigos pela minha sinceridade, por expor meus valores distinto dos meus amigos. Talvez minha força em conviver com que a vida me traçava no caminho e me vazia defrontar com circunstâncias ou pessoas que muitas vezes eu não compreendia, mas minha atitude era fatalista, nunca corri do inevitável. Talvez essa forma de fuga da minha Lua capricorniana me fazia aos olhos alheios como duas colunas inabaláveis de mármore frio e resistente a quaisquer tempestades. O poder é uma ameaça àqueles que sabem-se fracassados, o ressentimento corrói e o veneno da inveja dilata a veias e faz o mísero arder e desejar de qualquer forma jogar aquele inabalavelmente mais forte no chão. Esse tipo de gente não tem amor, não foi criado com valores pessoais que lhe trouxessem auto-estima, eles mais dependem vencer derrubando os outros, são suas únicas vitórias, amargas por sinal, que raramente os fazem melhor, talvez consigam apenas sentirem-se igualmente frágeis, isso é o mínino que um  complexo de inferioridade ganha na vida, ser igual por baixo.

Eu mesmo que vivi zumbiando por anos, sempre tive amor dentro de mim, uma mãe de voz firme, dura, mas que juntas na dor, nos tonamos cúmplices na compaixão, somente porque desde sempre me senti amada e amparada por ela. Um Sol ariano idealista e inocente, sem muita malícia foi que me fez ser íntima de pequenos inimigos, levei tombos, choquei-me emocionalmente, impactada com a maldade alheia, tinha medo, era covarde e carente, mas enquanto não encontrei eu mesma e meu amor sarou minhas feridas, não pude ser forte interiormente. Hoje ainda peco pela inocência, mas continuo acreditando nas pessoas, acreditando que eu posso mudar as coisas a partir das minhas atitudes, do que eu sou e do que ensino, não como verdade , mas como caminho de auto-descoberta. A menina ainda vive, resiste  e cultivo-a, pois é quem me faz acreditar, me faz seguir e lutar para crescer sem perder a amorosidade. Crescer dói, a responsabilidade da vida é uma atenção constante de amor para com nossos sentimentos, nosso corpo, nosso bem-estar, consciência é lidar com essa realidade mentirosa, falsa, essa forçosa submissão ao poder dos grandes, que nos faz sobreviventes frente a total falta de liberdade de escolha, e nos aprisiona a sermos todos tão aparentemente parecidos, seja ao que nos roubam e ao que nos é imposto.

Por isso que eu continuo acordando a cada amanhecer levando meu barco a navegar, mesmo com medo da travessia por caminhos desconhecidos, mesmo com aqueles que ficam nas margens à espera de um naufrágio meu, eu ainda continuo viva e aceno de longe para todos, que de alguma forma, consciente ou não, me negam suas mãos, me negam uma palavra verdadeira, a compreensão do meu esforço e determinação, se calam numa torcida competitiva até onde irei... Ah mal sabem eles que é nessa minha companhia que me basto, como se agora fosse hora de estar no front da vida, livre dos medos que me atrasaram a chegada, mas que me deram o tempo necessário para crescer. Hoje cada horizonte tem um contador de dias a frente, uma ansiedade perene por tudo a realizar e uma certeza, de que navegarei  até onde tiver meu porto de regaço a me fornecer o conforto da morte serena de um coração satisfeito e pleno de luta e realização. Os fracos são meros espectadores que observam e invejam tudo o que acreditam não poderem ser. Não admitem mudar, encarar suas falhas, ou são vítimas da vid e acreditam que a vida deve a eles alguns privilégios, e mentem a ocultar suas imperfeições de caráter, diluídas em suaves e macias vozes sempre prontas a servirem de bengala aos necessitados. Mal se percebem que fazem de muitos suas próprias bengalas, usando-os  como se assim são "ganhadores".

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Louco - Fuga da Realidade ou Falta de Consciência?


A carta do Tarot de número 0 (zero) - O Louco, representa simbolicamente na maioria dos baralhos, o arquétipo de uma criança pura, a essência do homem diante da jornada da sua vida. Este estado  lembra o de uma pessoa levitando, ainda fora de contato com as experiências da vida, pode-se falar do espírito ainda não encarnado totalmente, não ciente de sua sina. É o bêbado na sua alterada e fantasiosa consciência, aquele ator que se dispõe do seu ego e  encarna os personagens, se acredita apenas um ser etéreo vestindo roupagens e vendendo ilusões,  e também é o equilibrista, na sua habilidade em passear pela linha no picadeiro, praticar esportes radicais e estar a um passo da morte, sem em nenhum momento se dar conta disso, é o palhaço que faz rir a criançada que existe dentro de cada um de nós, com suas piruetas e caras e bocas na sua simplicidade de mendigo bem humorado, mesmo que por trás da maquiagem exista alguém ainda  sem identidade.
O Louco é o nosso ASC no Mapa Astrológico, nossa partida no caminho do crescimento e aprendizado, em busca da consciência de quem ele é, de verdade. Um viajante,  aventureiro sem rumo, a fazer malabarismo nos cruzamentos, a lavar carros nos estacionamentos, mas um bom artista mambembe que leva sua trupe pelas cidades do interior, perseguindo suas ilusões de menino abandonado. O tempo fará do Louco um "Bobo da Corte", aquele que descobre precisar de máscaras e várias histórias para contar para cada gente diferente que ele vá encontrando pela estrada.

Existe um caminho à frente onde o Louco irá vivenciar as experiências de cada arquétipo e no seu dia a dia ele incorporar´aquilo que cada experiência e pessoa que cruza seu caminho lhe soma, faz com que ele se conheça a partir das reações que terá e como absorverá o ensinamento e a consciência de si mesmo diante do outro. Ele é um buscador, ele  encontrará encruzilhadas, obstáculos a contornar, inimigos tentarão lhe interromper sua busca,  mas  seu Eu Interior é seu guia, sua consciência, sua razão e percepção da sua capacidade de seguir adiante. Nesse caminho, que cada um de nós faz, fazemos escolhas que somente no futuro adiante poderemos avaliar, por isso é necessário aceitar os erros e suas consequências, usar do conhecimento adquirido, aquele do observador da vida, e usufruir do que a vida nos oferta a cada instante.
Parece "pobre" encontrar felicidade nas pequenas coisas, a ostentação é máscara do pobre menino rico, carente de amor e atenção, aquele que se enxerga  mendigo vestido com as roupas do Rei.
A loucura, a embriaguez, as drogas, são bifurcações  que optamos quando o caos  preenche e a fuga parece o melhor remédio. Qualquer coisa que cultivamos dentro de nós que nos cause dor, é o nosso limite, é quando não somos mais máscaras, somos alguém que cansou de se esconder. A dor, seja ela de qualquer origem, [e um pedido de socorro mudo, mas que numa curva nós vamos ter que encarar o estouro da boiada. Ou você se dopa, se mata, ou corre e se cura, essa é uma decisão íntima e pessoal, ou você decide a seu favor ou contra você, como diz a frase "Não deixe que nada te desanime, pois até mesmo um pé na bunda te empurra pra frente."
Vai doer, tem sacrifício, você tem que se convencer do que é melhor pra você, por vezes existem umas ajudinhas, alguns GRANDES MOTIVOS  que nos movem a mudar. Cada passo no caminho, existe uma clara visão da sua presença na vida, ali de pé, frente a você mesmo. Enfim você se encontrou e se comprometeu a viver livre de todos os medos que  te impediam de voar, mesmo que seja na mente de um homem digno da vida que ganhou.
Vamos, venha, me dê sua mão, vamos contar histórias, ganhar o mundo e continuar ensinando aos outros que tudo pode ser bem maior do que você enxerga, basta ver para que faça parte de seu mundo interior e, este se refletirá por onde você passa.

sábado, 17 de outubro de 2009

Um desejo...



"Que o caminho seja brando a teus pés.
Que o vento sopre leve em teus ombros.
Que o sol brilhe cálido sobre tua face.
Que as chuvas caiam serenas em teus campos.
E, até que de novo eu te veja, que Deus te guarde na palma da mão. "

Bênção Irlandesa
 Bom fim de semana.
Beijos


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Diante do Nada, Existe o Meu Mundo Interior


Pensava eu como um insignificante grão de areia durante aquelas crises devastadoras que arrancava de mim tudo o que possuía como verdade e nua num deserto eu ficava. Um enorme vazio, um gosto amargo na boca e uma enorme estagnação emocional pelo choque.  Talvez seja minha Lua em Terra - Capricórnio, que a princípio congela, estanca a dor, afastando-a, colocando-a de lado, talvez junto venha minha Vênus pisciana que tende a levar longe essa agonia do sentir e dura o tempo que precisar até se extinguir.


O deserto é um bálsamo para aqueles que sofrem com o orgulho, o silêncio que sopra o que negamos ouvir no turbilhão do cotidiano, os que se protegem em torres por trás de muros altos, vozes autoritárias, rigidez e uma fortaleza aparente, digo aparente, pois ela existe como uma armadura de um cavaleiro romântico. Ao se despir a alma solitária é aquela seguida por sua eterna cúmplice, sua sombra. Uma realidade versada numa dupla cobrança dos erros e de onde houveram falhas que a puseram a vagar pelo imenso deserto. Nessa vastidão  existe uma beleza única, um movimento natural das dunas que se movem ao sabor do vento e em harmonia com a lua do sol. Ali nossas pegadas são passageiras, nada ali existe para sempre, tudo mutável, tudo passível da desordem emocional.
Por algum tempo serão as faltas a reclamarem no seu corpo, depois serão as noites, eterna escuridão, a criar fantasmas, a imaginar oásis, mas o Sol - o Deus Hélio, traz consigo a verdade com sua luz, e em algum momento sou um simples grão de areia nesse imenso universo de iguais, porém, à medida que me ajoelho e me deito nesse chão, meu corpo percebe seus contornos, a pele macia a ser acariciada pela brisa, como se fossem véus a me cobrir a pureza da alma. Eu me volto sobre meus próprios pés descalços e me dou conta de quem sou diante do nada metafórico, se foram pedaços de mim, cá dentro de mim, existe um oásis, meu mundo interior.

Dentro de mim sou nascente, botão em flor, desejo, ânsia, espírito que cresce, que jamais desiste de "morrer" à mingua,  diante da maldade humana, no confronto com a mesquinhês e a ganância daqueles  fracos e carentes de dignidade. Hoje, a dimensão que tenho de minha pessoa é menor do que há 30 anos, quando eu erguia o queixo e nos meus saltos 10, abusava da onipotência como espada. Usei do amor como curativo nas minhas feridas, cultivo meu oásis em pleno deserto e não deixo que contaminem minha nascente de águas transparentes. Sou minha verdade doa a quem doer, minha dignidade está em continuar sendo quem construí de mim, continua a cultivar flores pelo caminho, para nunca esquecer de que ainda posso ser exemplo do bem.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Da Escuridão em Busca da Luz


O Rio da vida carrega a gente  através da força de suas correntes, esse mundo que nos mantém vivos, nos alimenta, é um caminho obscuro quando no leme existe alguém sem ideais, crenças, somente a lua a guiar-lhe  à frente através das sombras e canais  e bancos de areia. O "leme" do homem é  não é sua razão, a mão que decide, que comando milhares de seguidores, é sim, sua capacidade perceptiva, que na falta da "luz" da consciência, essa mão se torna cega, radical e obsoleta, sobrando ao homem captar os sinais da natureza a dizer-lhe o caminho até onde deve chegar.


Dias e noites aquele homem segue em frente, enfrenta tempestades, descobre novas terras, mas pouco percebe de si mesmo no comando de sua vida. Nega a possibilidade de novas descobertas, se retrai diante da própria  evolução, diante do medo, ele trafega por  fortes correntezas e pode talvez naufragar na sua ignorância. Lutando nas águas geladas  em redemoinhos, o homem se debate furiosamente lutando para sobreviver, mesmo que  segundos antes nem atentava à presença da "morte" a lhe rondar cegando-o sobre sua verdade.

Diante do desafio da vida, a maioria de nós "se salva", seja por instinto marciano, seja pelo poder de criar a o limiar vida-morte, aquele conhecido túnel de passagem, bem conhecido pelos que lá chegaram e retornaram. Há sempre escolhas neste momento, mas aqui neste umbral fictício, você, fora do corpo, desconectado do timão de Plutão, podemos mais levitar pelas brumas  de Netuno, rodando por entre os corpos moribundos. Diante da morte certa, em confronto com a ameaça do fim, nossa alma vaguea de volta ao corpo, carcumido  pela dor, pelas perdas de infinitos momentos desprezados pela ansiedade da corrida competitiva do ter e não ser nada.
Diante daquele corpo jogado aos vermes, a plena consciência de sua essência  sabe-se eterna, talvez ainda não consiga a compreensão do evento. Sabe-se vivo, pleno de sentimentos, sentidos alerta, o murmúrio das ondas a bater nas pedras, o cheiro das tochas em chamas, os pés frios balançam no barco, em direção ao teu destino.

A noite é puro ouro, a pele dourada brilhante de óleos aromáticos, cordas puxam o barco por entre pequenos afluentes, como forças  a lhe direcionar pelo iluminados  corredores que vão se estreitando como braços que te abraçam e te carregam por entre  os porões do castelo. Fugitivos  correm agaichados e a luz é turva, tudo se resume a um monte de feno que acolhe os corpos ardentes e bocas sedentas de um sabor desconhecido. Uma procura lenta e cruel como a se provar a extensão real do tempo, a procura dos olhos e a luz da alma a passar mensagens que inundam o ser tensa satisfação, que vibra, a eternidade do ser por inteiro.
O tempo inexiste quando almas renascem, quando mentes despertam, quando o amor acontece, uma flor nasce em sinal de .... começar de novo, sem que exista fim, só começo.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Saturno Quanto Maior Resistência, Mais o Medo é Ameaça


O sábio talvez seja aquele que se aliou ao tempo no meio da vida e juntando passado e futuro, ele somente é um atento passageiro do presente. Sábios, mestres, são poucos. A filosofia Sufi "estar no mundo sem ser do mundo" fala muito dessa contemplação do espírito enquanto a matéria transita pela terra construindo um caminho de peregrino solitário. Falam que Júpiter seria a idade do homem onde ele aprende a usufruir com maior liberdade e leveza dos prazeres da vida, vivência o significado dos valores com maior maturidade e ponderação, as coisas tem mais brilho, pois ele escolhe o de melhor, já cansado da fartura e libertinagem, da euforia e gula, ele vive do que aprendeu.
Saturno é um construtor de ossos, seja desde nosso esqueleto até nossa estrutura ancestral. De onde viemos, nosso papel nessa encarnação como co-participante da reconstrução e evolução do Universo. Ele é o Rei e todos, seus súditos, pois ele detém o poder e determina a construção de seu Castelo. Ele cresce acreditando que conquistará seus objetivos, nem que para isso, abdique de muitas coisas pelo caminho. Suas perdas e fracassos cravam sua carne de marcas profundas, ele as esconde com vestes simples como esconde o ouro retirado das minas. Orgulhoso, esconde suas fraquezas, alimenta uma falsa fortaleza através de um forte controle durante quase toda uma vida. Seu maior medo é cometer erros, ser condenado. Ele tem os pés grossos ao caminha pela terra, consciente de em quem pisa e fere numa revanche, ele precisa dar o troco. Mas ele sabe até onde ir, mesmo que sonhe com mais, seu filho Sol nasce com seus limites traçados e, depende dele próprio o esforço e a luta. Muitas vezes ele lutará a vida inteira e será vaidoso do seu Reino, mesmo que  o Sol ainda se revolte e não compreenda o significado do tempo.
O tempo é como um manto negro que cai sobre suas costas e lhe pesará como um fardo sempre onde houver culpa ou vergonha.

A resistência em admitir seus erros, seus próprios limites, o  incomodo diante da proeza do outro, as dificuldades em admitir a necessidade de mudança, do se adequar, lhe faz se afastar de tudo o que lhe ameace o poder. Suas crenças se enfraquecem diante de um espírito empobrecido pelo medo. Por trás daqueles muros altos, existia um enorme medo em se submeter, tantos joelhos endurecidos na velhice, falam do pisar duro, da ostentação da autoridade,  como meio de afastar aqueles que pudessem lhe derrubar num sopro, bastasse tocar-lhe o coração empedrado a resistir a toda dor auto-imposta, muitas vezes o flagelo era uma auto-afirmação.
O tempo passou e hoje seu corpo murchou, encasquilhado nas juntas, e deformado na forma de lhe mostrar sua necessidade em aprender com a humildade, curvando-se, passando a mirar os pés e a bengala a lhe equilibrar os pequenos passos titubeantes que se arrastam , como parado, estivesse o tempo. Toda emoção resguardada, todo ressentimento é como uma mina que vaza lentamente pelos ossos e os tornam porosos, frágeis, quebradiços, viajando no processo degenerativo, o pó. O medo ainda assombra, seja o da solidão, do abandono, da limitação, pois o medo estanca o corpo, o orgulho não pede ajuda, o cérebro vai se obstruindo e parece que o mundo volta ao do tamanho de uma criança, brigando pela independência e auto-suficiência.

"Sábio é aquele que sabe que nada sabe e, pronto está a aprender ao fim de cada ciclo, podendo então contemplar a vida como um vale fértil diante das quatro estações."

sábado, 19 de setembro de 2009

O Silêncio da Montanha


Cá estou eu enroscada  ao meu chale de lã, lembrança de minha avó materna, de quem herdei as habilidades artesanais, ela gostava de tecer em crochet, e quando chega o cair da tarde nessa montanha, bate a friagem da ausência do sol, que já vai desaparecendo lá no horizonte. A brisa fria nessa mar de vale descampado levanta meus cabelos  a me puxar em direção ao alto, vou subindo a montanha pelo caminho das ovelhas bem devagar, assim meu coração se une a uma respiração profunda desse cheiro de terra, minha terra, que me impregna os pulmõese me sustenta a alma de prazer.

Raras são as árvores por aqui, lá embaixo vejo um punhado de pinheiros numa das fazendas, mas minhas mãos ainda estão impregnadas da colheita das azeitonas verdes, que agora eu trazia na cesta de vime,  cheiravam ainda nas minhas narinas e essa mistura me deixava com saudades, saudades de tempos que não vivi, de caminhos que não percorri, mas de um imenso mar de emoções que carrego aqui, dentro do meu peito, à espera de que, em algum momento, eu ouça de novo a sua voz, no meu ouvido direito, sinta suas mãos a me abraçar pela cintura, colando teu corpo às minhas costas, eu me encaixando tão igual, como se tivesse sido feita para ocupar esse espaço.

Por dias e dias eu venho ao encontro desse silêncio impregnado de história, do cheiro da tua terra mãe, me deixo rolar na grama alta do  como se pudesse esperar que as folhas secas do outono me cobrissem como um manto vermelho-dourado da morte Eu ali quieta me manteria aquecida e sonhando acordada. Ouço latidos a distância,  meus 2 amores brincando , saltitantes, latem quando alguém passa na estrada. Um dia será você a chegar no portão, me olhar com aquele jeito de uma boca tímida e olhos a me dizer o quanto me deseja, eu sorrio e te recebo num abraço por inteiro.

Outro dia me lembrava  de sonhos que tive contigo, da vila, do portão de ferro com aquele vaso enorme de gerânios na entrada, ali você vivia e quando eu passava, te reconhecia. Sempre foi algo entre nós não declarado, uma doce intimidade, uma cumplicidade  e uma distância enorme a te fazer quase impalpável, salvo eu ter te rosto e voz em minha companhia. O destino por vezes é um deserto e é preciso tirar água de pedra, acreditar no impossível, perceber o improvável e saber passar por todas as tempestades de areia e eu assim mesmo, sobreviva à tua espera, espera eterna, talvez nunca seja acalentada com teu corpo junto ao meu, mas as lembranças são vivas, como já vividas.

O sol se deita e no meu despertar sinto falta de você, dessa individualidade orgulhosa, que te faz negar ajuda, que impõe barreiras de um silêncio eterno. Benditas saudades, bendito passado que trago comigo e me farta  em parte da tua ausência. Não sei como te fiz ou o que te fiz, onde minha percepção da tua verdade te expôs demais frágil diante de meus olhos. Até quando me terás como inimiga, só porque sou tão tua conhecida e tu tão meu . Que tua loucura um dia se abrande e te compadeces de mim. O céu negro salpica de estrelas de esperança o meu ser, volto pra casa mais uma vez em fria com o orvalho da noite, abraçada nessa imensa escuridão que é minha vida sem você.

domingo, 13 de setembro de 2009

Seja Produtivo, Cultive, Crie, Construa !

Existem Leis Universais que são comuns a quaisquer povos, raças, tempo, cultura, religião e uma delas é a de um movimento e desenvolvimento do universo desde onde podemos estudar no passado das Eras até o que, no presente momento, sabemos ter certeza de que pouco sabemos sobre as galáxias, e o como estaremos daqui a alguns séculos. A esse movimento existe vários outros em intercâmbio, criando vida, matando, destruindo e reconstruindo, mudando parâmetros, paradigmas, crenças e, no centro disso tudo existe o homem, até agora o mais racional das espécies vivas, que tem a capacidade de desenvolver seu raciocínio e construir valores, significados, interpretar o que vê e ouve, criar seu próprio mundo de acordo com a física quântica.
Esse ser humano que pensa, ele observa, copia, imita, usa ser Mercúrio da melhor forma possível para investigar o que ocorre ao seu redor e como poderá ele sobreviver. Tarzan só teve o do cinema, e sobreviveu imitando os macacos, e se adequando ao tipo de vida selvagem deles. Muitas vezes ser mais um, ser um igual é reconfortante, mas ao olharmos para o mapa natal, descobrimos quantas funções esse ser humano tem capacidade de aprender e usufruir delas, umas  nascem com ele, outras ele irá criar a partir de sua própria existência, seja um filho, uma idéia, um pensamento. Ele tem uma função maior como ser humano nesse planeta e nesse Cosmos, ele é parte deste todo em movimento. Se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho como! Não dá para ficar com o boi na sombra, bem, o que tem de boi na sombra das cúpulas do Planalto...
Mas em se tratando de linguagem simbólica e de autoconhecimento, essa busca por maior amplitude desse mundo nosso de cada dia, por um crescimento pessoal a partir de reflexão, maior compreensão e aceitação de si mesmo, e de  resignificações das crenças e valores que  sustentam nossos princípios e constroem nossa estrutura psico-emocional, podemos afirmar da necessidade que o ser humano tem de ter uma identidade, de buscar reconhecimento, ansiar por amar e ser amado, por procriar, criar, deixar algo de si como prova viva de sua existência física nesse mundo.
Cio da Terra
Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão e se fartar de pão
Decepar a cana Recolher a garapa da cana Roubar da cana a doçura do mel, se  lambuzar de mel
                                                         Afagar a terra
                                                         Conhecer os desejos da terra
                             Cio da terra, propícia estação de fecundar o chão.
                            (Milton Nascimento e Chico Buarque de Holanda)
É preciso meter a mão na massa,  descobrir o valor do suor na camisa, da mente cansada da aprendizagem, de poder experimentar a vida na prática, se criando, se transformando, provando de cada sabor para aprender a escolher. Talvez a pobreza do simples seja de grande valia a ele, pois ele nasce sabendo que depende dele plantar para colher e comer, depende dele se adequar a seca ou a inundação, talvez falte a ele a visão de outras possibilidades, principalmente se lhe desse a oportunidade da educação. Mundo pequeno, Mercúrio não enxerga longe como Júpiter, no máximo ele torna-se um artesão, operário da terra na regência de Virgem.
É preciso o desejo do ventre da criação, a mente fértil de idéias e anseios de vê-las materializadas, é o acumular pilas de terra, de semente, de grãos, de dinheiro diante de um Touro satisfeiro, pleno, de barriga cheia e olhos gordos. Essa disposição de lutar, de fazer trocas, de começar do zero, de plantar algo que colherá em dobro. A fome é algo desolador, ela mingua a vitalidade do ser humano, ela não deixa desenvolver a ambição, a única coisa que a fome deseja é ser saciada e, para tal, qualquer coisa que preencha o vazio, a carência , serve para que ele continue vivo.
Vemos uma romaria de mortos-vivos, esfomeados por migalhas, cegos a  todas as possibilidades, às suas próprias potencialidades, surdos  às ofertas. Tudo é impossível, tudo tão difícil, ele próprio cria um mundo pobre e como vítima da pobreza espiritual dele, ele nega aceitar sua realidade, ele empaca que nem um burro chucro, mete os pés pelas mãos, e se recolho num orgulho besta que não aposta mais nele. Resta a ele pedir esmolas, ser tão infeliz que alguém lje dê de graça o que ele deveria ganhar com seu suor. Ele é vítima dele mesmo, de fugir de ser alguém e, chora pela vida lhe negar vida.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Palavras ao Vento - Consciência Gera Mudança



Mercúrio -Hermes é o senhor das idéias, aquele que interliga os 3 mundos, que soma, associa regendo Gêmeos e discrimina, cataloga, sintetiza e]regendo Virgem. Mercúrio é esse pássaro que vôa, contacta e comunica, é ponte e fonte, portanto aquele que promove a nossa capacidade de interagir com o entorno, aprender com a observação, copiar, imitar, se expressar da sua forma, seja mental ou física. A mente humana representada por Mercúrio começa desde a percepção do mundo à sua volta, de como ela aprende a comunicar seus desejos e dores, sua busca por autonomia através da sua enorme curiosidade. Ela cresce aprende a raciocinar, desenvolver a capacidade de apreender os ensinamentos e a desejar espalhar isso em Sagitário, sua oitava superior, aquele que eleva o pensamento a um processo da busca do significado, da representatividade do símbolo ou sinal. Júpiter é o "olho-gordo", aquele que vê mais adiante, que projeta uma amplitdo e expande a ideia primária, desenvolve o conhecimento e reflete sobre como o apreendido pode ser como crescimento social e pessoal ao indivíduo e assim , favorecer uma maior interação  e equilíbrio com o universo. O saber não ocupa espaço, mas ele precisa ser exercitado para que tenha função.



O conhecimento preenche lacunas, é fonte de aprendizado de ofícios, uma viagem no mundo dos outros e uma proposta de viagem interior, a auto-descoberta, a percepção sobre si mesmo, suas emoções, atitudes, crenças e valores, seus desejos e sonhos, necessidades, limitações, potenciais, habilidades. Quando Mercúrio trilha o caminho da pesquisa e  conhece o caminho do apendiz, ele toma consciência do quão rico é o conhecimento  e faz dele um valor prático de treinamento para uma maior eficiência, pode vir a tornar-se m mestre com Júpiter, que agrega a todo esse conhecimento maior valor e significado, interpreta e propaga a ideia num conjunto de proposições que influenciam diretamente o desejo do outro , que atiça a inveja, o desejo de participar, de ser coadjuvante de um movimento à frente.

Quando a idéia já trabalhada, decifrada sai da mente para ser utilizada como uma proposição, ela agrega um movimento de mudança, pois move o indivíduo a refletir sobre um novo contexto. A consciência do aprendizado é o ponto de partida para que ocorram as mudanças em nossas atitudes pessoais e daí, sejamos exemplo e catalisadores de uma melhor aceitação quanto às diferenças a a necessidade de um constante movimento de adequação e manutenção de um desenvolvimento com atenção quanto ao seu equilíbrio, evitando assim todo um processo de auto-destruição em razão dos excessos do progresso.


A mudança ocorre de dentro para fora, o exercício é como de um espiral que ao ser movido ,exala do seu interior a energia que será distribuída no exterior, modificando nossas atitudes naturalmente.Palavras ao vento são discursos inúteis que mais criam um espetáculo de convencimento, mas nem sempre geram a consciência plena da necessidade da mudança de comportamento, de paradigma, de status quo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O que Você Carrega Dentro e Como Expressa Pra Fora


Lua e Netuno, dois planetas que estão intimamente associados ao arquétipo feminino. A nossa força gerada da nossa capacidade de nos preparar a cada mes para gerar um ser e logo após chora pela primeira vez é a estréia o adeus a sangrarr vermelho pelas entranhas pelo adeus a não fertilização. Talvez dessa capacidade da mulher dar vida a um novo ser, venha uma indescritível força de reagir  brutalmente à morte, de usar seu instinto na preservação de sua espécie e na proteção dos que ama e cuida. É essa mulher que caminha  em busca de algo, em busca do homem que a fertilize, que capine e plante para dar pão a suas crias, que chore de tristeza quando um deles parta de inanição.
A Lua de fases, a força interior que a faz transitar pelos 6 estágios desde a plena escuridão ao ápice luminoso de uma lua cheia, simbolicamente associamos à ausência de luz como o vazio do útero ou o vácuo que nos deixa, a mulheres e homens, sem noção do porque nasceram, qual função. Como se este instinto feminino e também o masculino sejam nossa herança dos primatas. Não viemos do nada, nem passaremos pela vida sem de alguma forma trazer algo de dentro de nós, e pela vida rumamos em busca de a quem doar, como se não bastesse criar, conceber uma idéia, um ser, m valor, é preciso trazer ele pro mundo, colocar a nossa criação a povoar e a participar da evolução da espécie.
Uma mulher jamais consegue ter a mesma relação com a vida, depois que passa pela experiência enriquecedora de ser mãe, seja pela enorme transformação bio-psico-emocional por que passa durante a gestação. Mas nada mais mágico que pariu um ser de dentro de suas entranhas, e este ainda lhe pareça com seus sinais. Todo o medo, o esforço, as dores são esquecidos diante da graça de presente que ganha e agora precisará cuidar com todo zêlo. A Casa 12 fala muito dessa grande magia reprodutiva, seja por Netuno representar o amor transcendente, o abandono do ego, o fim e o inconsciente britando na vida pela linha do ASC.

A famosa ilha das minhocas, de onde viemos carregados pela cegonha. Esse mundo onde nos criamos durante 9 meses, onde flutuamos em total conforto físico, de acordo com o que nossa madre nutriz esteja vivendo lá fora. A alta percepção, a sintonia fina que capta através da barreira placentária, nos faz crer sermos uma só Lua, uma só emoção. Ali construímos nosso caleidoscópio  e voltamos pra lá a todo momento que a fantasia do ASC pesa nos ombros do Ego. Já fim de noite, corpo exaurido de sorrisos, e gestos educados e, de repente, jogamos a toalha, deixamos a torrente d'água cair por nossa cabeça a se misturar com as lágrimas, e enfim a bolsa se rompe e desaguamos da pressão, mergulhamos profundamente  em nosso íntimo e nos conectamos com o mundo das fadas e monstros, dos castelos e príncipes, dos sapos e duendes , de onde podemos perceber o quanto somos "maiores" dentro, a partir de toda a nossa história, do que apreendemos, do que trazemos já feuto, dos nossos anseios a serem realizados, feitos de sonhos, insights que, em algum momentos surtam em clarões e conectamos com o cosmos e aspiramos ser além de um corpo deambulando a esmo pela estrada da vida.
 Estamos prontos a doar ao mundo o que trazemos  de contribuição.
Estendam as mãos e recebam!