Pensamento

"Onde quer que o homem vá , verá somente a beleza que levar dentro do seu coração" . Ralph W Emerson
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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sobrevivendo ao Caos


Olhando a minha escalada montanha acima, atravessando o fim de século, inúmeras previsões de fim de mundo, apocalipse, Calendário Maia, salvaram-se todos até hoje, inclusive eu! Mas vou dizer que está cada vez mais difícil resistir aos caos. Parece que novos ventos sopram removendo as antigas estruturas, valores se apagam, o caos se instala à minha volta e a violência física, da qual sempre fomos alvo, parece algo comum, como se estivéssemos num estado de guerra.Ver desabar a Europa, os amigos e povos a sair às ruas lutando por sobreviver à queda da economia, muito desemprego. Daqui do meu pedestal de 54 anos consigo enxergar as obras faraônicas idealizadas por marajás capitalistas a sonegar impostos em conluio com o estado, e eu aqui tentando me salvar, remando meu barquinho limpinho, honesto, em dia com o Leão, sem caixa 2, 3 e 4, sem segundas nem terceiras intenções com clientes. e me sinto tão solitária, tão catalogada no Serasa, nas listas de Telemarketing, nos Clubes de Relacionamentos das operadoras como uma qualquer.Virgem santa! Uma indignada mulher que abomina ser confundida a precisar suportar grosseria de tudo que é canto e nem poder perder a boa educação, porque me rebaixaria ao mesmo nível de meus interlocutores. só de ficar negativo na conta do Banco 1 dia eu já me incomodo, se esqueço de pagar alguma conta fico estressada, posso dizer até que envergonhada diante da empresa. eu sei, não sou normalzinha, sou controladora e tive uma educação rígida, além de tudo dependo da minha racionalização para que minha vida caminhe a contento.
Hoje sou um "soldado de videogame", apenas um robot que fala e ninguém ouve e muito menos leva em consideração o que penso. Percebo absurdos nas relações sociais, ouço frases desagradáveis de homens conhecidos, e vamos dizer que posso chamá-los de "maduros" com mais de 50 anos. fico vexada com a franqueza ácida da aproximação libidinosa, é quase como se somente o pênis à frente da testa, fosse o leme e comandasse a aproximação. Eu, apenas uma espécime a ser manuseada. Outro dia entrando num programa de relacionamentos, colocando especificamente minha intenção em "conhecer pessoas", fiquei chocada com a prole de chamadas sem qualquer traço de algum conteúdo. Ou há um mundo de carentes sem tato ou eu que não aceito mais esse tec pac top tac pop, uma mesmice , fora aqueles que vivem de esquetes falsos copiando frases feitas, enviando PPS românticos, que coisa mais sem nexo!! sexo então, com esses nem pensar! sou daquelas que converso na cama, que saio para conversar sem necessariamente ir "trepar" como prêmio àquele que me escutou por horas. Minha identidade, o que penso, o que faço não é fundamental, para alguns minha trilha esotérica ainda os faz rir, como se fosse eu "uma tolinha".Prefiro o abominável homem das neves! Gente, eu ainda acredito no amor, conheço homens capazes de serem educados, gentis, competentes. Dizem que quem admira não ama, eu discordo, meu amor precisa de admiração, respeito e confiança por aquele com quem deitarei em algum momento futuro. 
Hoje me basta mais minha posição diante do que me é ofertado, escolher hoje é questão de optar pelo que me faça bem. E quando não gosto, não tenho nenhuma dificuldade em me colocar, até porque, estamos nesse caos em parte porque as pessoas perderam o interesse, ou seja, não conseguem dar conta de tudo o que precisam fazer para se defender das ameçadas e dos roubos que a cada minuto as empresas sacam de nossas contas, são mudanças de planos, promoções de minutos, anúncios onde não se informa a marca do eletrodoméstico. fora os que adoram ver a sua desgraça. Já pegou um desses? Por vezes até amigo adora te ver numa situação de perda. Tem gente que quando você diz que foi lesado, ela aí conta que você não devia ter feito tal compra online naquele site. Ninguém mais chega pra você e te ajuda, ensina , se preocupa em te avisar sobre algo para que você se previna. Tempo gasto com o outro, aquele cara ali, a mais na fila dos amigos virtuais, tudo igual. a frase dita no emblema compartilhado serve para todos, curtir já é apenas um "passei por aqui". É, você tem que ser seu próprio Herói, não tem mais nem em desenho animado, foram todos revitalizados em humanos nas telas dos cinemas, mas nem mesmo assim o povo acredita mais. Sobrou Eu, que me enrosco e desenrosco indignada e vou lá ter de falar com o do balcão que ontem foi grosso comigo, atender telefone de cobrança do cartão(QUE ESQUECI DE PAGAR POR NÃO TER SIDO EFETIVAMENTE ACEITO O DÉBITO AUTOMÁTICO PELO BANCO) como se eu fosse uma ladra. Gente, dentro de mim mora um trator do exército , comandado por um General ***** que gostaria de fuzilar, sem matar, cada uma dessas pessoas que já nem sabem mais o que significa ser comerciante e comerciário, mas que mereciam um xadrez por umas horas, mereciam. Faltam castigos, multas, punições que tragam limites numa convivência social. Precisamos ser heróis para os outros, como habitualmente existem pessoas salvando a vida de outras, médicos sem fronteiras, irmãs de caridade, beneméritos ocultos que sustentam instituições.
 E parece que hoje isso se ignora literalmente. o valor está na sua própria insatisfação, frustração e raiva em precisar se dispor a ser o que não deseja. somos almas peregrinas em busca de amor para alimentar o espírito. O sacrifício, a dor, o esforço são caminhos para a transcendência de valores, que de alguma forma norteiam a nós, criatura, trazendo-nos reflexão. não nascemos para sofrer, nem para nos submetermos por carência a carregar fardos de amor negativo que sustenta o vazio da rejeição. desde o cume de minha montanha, enxergo o vale lá longe, como se fosse a abertura de meu coração receptiva a dar e receber a vida através do pulsar do sangue carreando oxigênio, como o sol o faz diante da seiva verde, da mesma forma que a chuva penetra na terra e a torna úmida, como nossa alma vibra a cada emoção que ela experimenta.. Eu sou a montanha, a rocha a ser lapidada pelo vento e chuva, sou imóvel e tosca em meu aclive orgulhoso, dificultando a compartilhar meus caminhos. sou doce quando me cubro de relva verde e dou de comer e beber de minhas fontes aos seres que chegam mansamente em busca de abrigo. sou testemunha do tempo, de quem fui e quem sou, quando me olho de alto a baixo, de trás para frente, sou o primeiro grão de areia que se dispôs a a se unir aos seus iguais.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cada Vez Mais Confusos diante de Novos Papéis

Você já acordou e se olhou no espelho e encontrou outra pessoa? Você não se reconhece mais, aliás, você literalmente esqueceu quem foi, seus planos se diluíram num cotidiano de luta cega. O tempo passou e você vive tendo que se enquadrar em novos protótipos que a sociedade exige, se adequar aos resultados de que você é obrigado a encarar, na maioria das vezes, as coisas não são positivas, ou fingimos que estão . Mas nem tempo temos para refletir sobre o porquê tudo mudou, e o que você contribuiu e onde você resistiu ou quando desistiu.
Vivemos num momento onde "tudo é possível" , nada mais é feio, grotesco, repugnante, imoral. Todos vivemos numa época de transição onde a permissividade é comum a todos, muitos se aproveitam, vestem as máscaras de "caras de pau" e invadem nosso espaço, nos roubam descaradamente, se aproveitam da limitação de certas classes de pessoas, vendem a moda. É um monte de assinante de TV a cabo com 150 canais que assiste a TV Globo , TV Record, invariavelmente, e de trouxa paga um cabo por status, para ver um filme fim de semana, muitos combos e pacotes mais baratos, mas alguém se interessa em se defender da ganância sobre nossa ignorância e comodismo? Da mesma forma chegaram os celulares, um objeto estranho inanimado para dinamizar a comunicação dos executivos sem tempo, e me vira uma peste de mania nacional dos devedores de conta para as inúmeras empresas, vendem a alienação cotidiana dos fones de ouvido, dos mais de um celulares , joguinhos, câmeras, e-mails, até eu Brutus! comprei mais um! parece essencial como oxigênio.
 Trocamos de papéis a todo momento, a vida se segue e a família co-existe, com pais suando a camisa  para sustentar o padrão,  pulando a cerca para evitar o seu fracasso no casamento e mantendo as péssimas aparências. Mulheres  hoje tem voz ativa dentro de casa, quando não sustenta sozinha a família de um pai omisso, ela mostrou que é igual talvez diferente na feminilidade, mas capaz de ir em busca de realização e prazer, apesar de um útero romântico.
Os machos andam se depilando, colocando botox, criando os filhos, não mais senhores feudais, mas sim em busca de encontrarem seu novo papel de homens sensíveis e convivendo com uma população alegre e colorida de GLS, estabelecidos apaixonantes e extremamente vultuosos em suas paixões, que deixam a heterossexualidade à míngua de uma crise sobre como ser feliz com um outro alguém.
O homem ainda se busca , é um mutante, um aprendiz errante, cego, surdo e mudo quanto à sua responsabilidade em crescer, ser capaz, cultivar sua  decadente auto-estima. Não dá mais para sonhar com príncipe encantado em procurar o sapatinho de cristal.  O coração tem sequelas das ilusões perdidas, a solidão vira encontros fortuitos, muita excitação alcoólica  e um mergulho no submundo as drogas. desde cedo estamos em nossas mãos, numa fase do mundo, onde não acreditamos em Papai Noel, podemos morrer a qualquer momento com uma bala perdida, penetramos na tela do computador para nos exilarmos deste mundo real e cruel, onde somos rejeitados, traídos, abusados, invalidados. Existe um silêncio dentro de cada um de nós, ele fala da tristeza,  poço da depressão de quem se esquece na beira do caminho.
Nos agarramos ao poder do dinheiro como bem maior, realmente, nosso exemplo é de que o dinheiro compra a dignidade, lealdade, honradez humana. Acreditamos que ele seja a salvação, mas ele não cura a dor de ninguém, não compra amor, atenção. Ele compra diplomas que você não honra com sua competência, compra drogas que é um bom negócio para quem vende e brinca de bandido e mocinho, compra muita  companhia  da prostituição, compra a escola para passar de ano os filhos, idas ao shopping, cabeleireiros, geladeira cheia de tranqueiras, compra a plástica, mas não tira o medo de não ser amada nem paga qualquer dívida cármica , confiança dos filhos, muito menos qualquer rito pagante divino.
No fim, sobramos nós mesmos, cada um perambulando a encontro de si mesmo, se achando no espelho do elevador, todo maquilado de palhaço e um profundo olhar triste nos olhinhos miúdos.





segunda-feira, 28 de junho de 2010

Segredos Guardados N'Alma

Eu sou até quem desconheço que irá se transformar dentro de mim.
Sou pequena, miúda diante do espaço, tenho medo de me jogar e não saber donde que vou parar. Gosto mais de ir "tateando" percebendo meu caminho. Rastejo pelos esconderijos de quando fui herói, o controle do corpo, o silêncio era ouro.Nessas vindas, vivi pouco, aproveitei menos ainda as oportunidades.  Restaram as lembranças esporádicas, o conhecimento e uma grande certeza aqui dentro de mim: Sou ainda mais do que acredito, quanto mais me olho, mais me encontro. Essa gama de experiências por vezes viaja em de'jà vu, um som, perfume, uma paisagem, estou eu de volta, conectando emoções, sensações, nada complexo, só um fio que me une à eternidade.
Eu sou muitas, menina, mulher, homem, velha, cabocla, sou dona de mim, rainha desse palco que é a vida, os vários personagens, as mais loucas histórias saem de dentro de mim. É um baú de memórias vívidas, um poço sem fundo, um túnel do tempo que me faz tão pequena e poderosa ao mesmo tempo. Eu transito nesses céus tal qual uma estrela viajante, sem horizonte, só nascente, o poente é transitório, um mágico piscar de olhos, e lá vou eu!
Eu sou essa terra quente, ardente, o fogo que lambe a mata, que come o que tem pela frente, como se a fome fosse eterna ansiedade, um medo enorme do fim, da inércia, as brasas se fazendo carvão denso e frio. Tanto tenho eu aqui para fazer, tantos desejos que correm pelas minhas veias, que aceleram meus coração, dão palpitação, tanto para dar, criar, trocar, como m o r r e r ? Quero ser eterna conscientemente, nasci para virar estátua, resistir aos ventos e tempestades, que venham os dinossauros, sobreviverei, mesmo que só, mas podendo me visitar.
Eu sou um eterno lago no meio de uma enorme floresta, rodeado de cheiros de mato, de flores, pássaros. Fico morgando no sol, olhando as montanhas lá longe. Sou vale fértil, são reflexo do meu interior, translúcida ao Sol e lamacenta ao entardecer. Gosto dessa minha casa onde me abrigo, me protejo dos curiosos invasores, daqueles que indignados, tentam me quebrar. Riscam minha superfície espelhada, quebram seus próprios rostos, resta a vergonha que desfigura aquelas mentes maldosas e frustradas, com faces distorcidas tais quais seu desamor. Minhas águas viram mágoas, criam círculos diante das pedras que me jogam, mas minha profundidade é maior e minha dor se desfaz no fim, me cubro imóvel de folhas do outono, engano a todos com meu capuz de bruxa, só meus olhos os vêm.
Sou devastação, vazio perfeito diante desse todo enevoado que me envolve, me traga para dentro de mim. Mais perto de mim me descubro, sou plena consciência, mais viva diante dessa minha imensidão. Me alimento do espaço que cavo fundo e me conecto à minha alma perdida, a resgato a cada noite, a cada olhar perdido, a cada insight, sonho, percepção aguda dessa que sou eu no íntimo. Alguém que quer mais da vida, quer se libertar dos próprios limites, que me protegem e me impedem de crescer, de ser tantas ao mesmo tempo, sem precisar  se esconder mais.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ser Mulher - Um Virtude Vigiada e Invejada



Pensava eu estarem busca de reflexão e me deparo com um bando de dedos acusadores sobre uma das participantes da terapia em grupo. Fiquei "rosa chiclete", chocada com o tom de voz acusador. Eu,com minha ambivalência emocional-afetiva de meu Vênus em Peixes de casa 7, me colocando facilmente no lugar do outro e num papel de observadora.  De alguma forma eu me senti nos tempos de  Roma Antiga - Coliseu e os gladiadores(as) arfando em cima da carne quente dos leões acorrentados.
Sentada na cadeira, com uma maleta de mão, uma mulher madura chegava da casa de sua filha, depois de alguns dias afastada de casa, depois de uma briga com o marido-companheiro de num todo de 13 anos de relacionamento, entre namoro, cumplicidade,  até uma vida em família nos últimos 6 anos. O atrito é uma situação de crise prejudicada por ela estar desempregada há 2 anos, paralelamente o marido-companheiro com problemas de impotência depois de 2 cirurgias de próstata, agravada por uma serie de inseguranças pessoais quanto à sobrevivência emocional depois da morte da mãe, e quanto a capacidade viril que quase se associa à possibilidade de sobrevivência psicológica.
Uma mulher que sempre observei assumida em suas "deficiências" de mente criativa e artística, uma ótima auto-análise e, momentaneamente, tentando mudar as consequências de sua história construída. Entre rinhas quotidianas, ela nega sexo e o ego fálico em falência, grita, agride, desconta toda a sua "impotência" quanto ao sentir capaz de exigir, rejeitado  e feroz, a desqualifica e descarrega sobre ela todas admoestações possíveis.
Inominável uma atitude desta, eu iria de mala, cuia e ainda levava  as calcinhas do varal. Impulsivamente me negava terminantemente a continuar ali, a receber em meu corpo um indivíduo desconhecido, pois  existem palavras que constroem "muralhas" entre corpos, sentimentos e pessoas. 

Enquanto ela  expunha a situação, como se sentia e sem saber o que fazer, mesmo ele tendo entrado em contato com ela por várias vezes na sua ausência. Ela assumia que dentro dela não queria mais continuar na mesma casa, sabia que a paz seria temporária, sabia de sua falta de recursos para ter sua casa e que não tem sustentação  de viver sofrendo, já que sempre foi mimada e sempre quis uma figura paterna e provedora a seu lado como companheiro.

De repente escuto  um bando de "boas moças", gralhas  quase dizendo que ela era obrigada a "dar" pra ele porque ele pagava as contas dela, fazia tudo o que ela queria, e elas, nada sutil, mostravam que aquele era um "arranjo" entre amantes que ficou mais fácil viverem juntos, mas quando ela deixou de colaborar, o outro pode jogar na  cara dela o dinheiro empatado na comida, luz e gás que ela gastava. Pasma eu estava, ao ler entrelinhas o ranço que a imagem da mulher ainda se cultiva no insconsciente coletivo. Desde que  a  conheço da terapia, nunca vislumbrei nela uma pessoa interesseira, sim uma mulher criada numa família e época onde naturalmente homens eram provedores, protetores. Há mal em prover quem se ama, prover seu cúmplice, seu amante, seu companheiro de cama e mesa? Desde que não sirva este como pretesto de pagar por sexo, roupa lavada, comida na mesa. Ou c]verdade seja dita,homens e mulheres se unem por uma infinidade de motivos bem contraditórios quanto ao que o sociedade dita como união feliz e consensual.


De alguma forma elas viam aquela mulher como alguma esponja absorvente dos pequenos luxos ganhos e sem muito esforço para ir a luta. Eu ouvi: _ "O dinheiro é dele!";_"Ela tinha que fazer por ele o que ele faz por ela...". Em momento algum eu vi alguma preocupação com a dor daquela mulher, na situação dela,  em se discutir até onde se podia contornar a situação com  um papo a dois onde se discutisse o que realmente faltava entre eles e o que poderiam os fazer em relação à fragilidade e insegurança de cada um, que afetava  diretamente, neste momento a relação do casal. Acontecia nos bastidores das palavras proferidas uma acusação da MULHER, esse feminino que ou é massacrado pelo machismo masculino, que em algum momento cobra o corpo, cobra a serventia sexual da companheira, ou é apedrejado pelas línguas ferinas de um feminino que marginaliza a artista como uma desmiolada, a comodista como aproveitadora.
Choquei... Não acreditava naquele episódio, nos sentimentos renascidos das vísceras humanas, bailando no ar condicionado.
Adormeci pensando sobre o tema e desfilando em minha mente de observadora, o quanto cada um  faz escolhas a partir de valores e crenças, necessidades, carências, e que o amor, aquele laço de fita cor de rosa que envolve o convite de casamento, acontece de verdade ou não após uma avaliação criteriosa do que o outro tem a nos ofertar. Fiquei pensando em quanto de ponderação as mulheres tem para manter um homem ao seu lado, a manter um casamento, um lar, uma segurança para os filhos, um psico-provedor, pelo medo da solidão, da carência de sexo, pela dificuldade em suprir financeiramente os filhos e seus próprios pequenos luxos pessoais.
Quantos homens ainda deitam na mesma cama, muitos já assumem quartos separados, porque não poderão pagar pensão e conseguirem ter sua própria casa, preferem manter uma relação sexual por obrigação para ter quem cuide de sua roupa, administre a casa, empregada, escola dos filhos e, buscam a novidade em transas momentâneas, casos extra-conjugais.

Porque será que a mulher ainda é um grande  ALVO , quase se volta a história de Maria Madalena?
Onde fica a empatia com o sofrimento do outro a seu lado?
E a compaixão pela dor?



terça-feira, 13 de outubro de 2009

Diante do Nada, Existe o Meu Mundo Interior


Pensava eu como um insignificante grão de areia durante aquelas crises devastadoras que arrancava de mim tudo o que possuía como verdade e nua num deserto eu ficava. Um enorme vazio, um gosto amargo na boca e uma enorme estagnação emocional pelo choque.  Talvez seja minha Lua em Terra - Capricórnio, que a princípio congela, estanca a dor, afastando-a, colocando-a de lado, talvez junto venha minha Vênus pisciana que tende a levar longe essa agonia do sentir e dura o tempo que precisar até se extinguir.


O deserto é um bálsamo para aqueles que sofrem com o orgulho, o silêncio que sopra o que negamos ouvir no turbilhão do cotidiano, os que se protegem em torres por trás de muros altos, vozes autoritárias, rigidez e uma fortaleza aparente, digo aparente, pois ela existe como uma armadura de um cavaleiro romântico. Ao se despir a alma solitária é aquela seguida por sua eterna cúmplice, sua sombra. Uma realidade versada numa dupla cobrança dos erros e de onde houveram falhas que a puseram a vagar pelo imenso deserto. Nessa vastidão  existe uma beleza única, um movimento natural das dunas que se movem ao sabor do vento e em harmonia com a lua do sol. Ali nossas pegadas são passageiras, nada ali existe para sempre, tudo mutável, tudo passível da desordem emocional.
Por algum tempo serão as faltas a reclamarem no seu corpo, depois serão as noites, eterna escuridão, a criar fantasmas, a imaginar oásis, mas o Sol - o Deus Hélio, traz consigo a verdade com sua luz, e em algum momento sou um simples grão de areia nesse imenso universo de iguais, porém, à medida que me ajoelho e me deito nesse chão, meu corpo percebe seus contornos, a pele macia a ser acariciada pela brisa, como se fossem véus a me cobrir a pureza da alma. Eu me volto sobre meus próprios pés descalços e me dou conta de quem sou diante do nada metafórico, se foram pedaços de mim, cá dentro de mim, existe um oásis, meu mundo interior.

Dentro de mim sou nascente, botão em flor, desejo, ânsia, espírito que cresce, que jamais desiste de "morrer" à mingua,  diante da maldade humana, no confronto com a mesquinhês e a ganância daqueles  fracos e carentes de dignidade. Hoje, a dimensão que tenho de minha pessoa é menor do que há 30 anos, quando eu erguia o queixo e nos meus saltos 10, abusava da onipotência como espada. Usei do amor como curativo nas minhas feridas, cultivo meu oásis em pleno deserto e não deixo que contaminem minha nascente de águas transparentes. Sou minha verdade doa a quem doer, minha dignidade está em continuar sendo quem construí de mim, continua a cultivar flores pelo caminho, para nunca esquecer de que ainda posso ser exemplo do bem.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Saturno Quanto Maior Resistência, Mais o Medo é Ameaça


O sábio talvez seja aquele que se aliou ao tempo no meio da vida e juntando passado e futuro, ele somente é um atento passageiro do presente. Sábios, mestres, são poucos. A filosofia Sufi "estar no mundo sem ser do mundo" fala muito dessa contemplação do espírito enquanto a matéria transita pela terra construindo um caminho de peregrino solitário. Falam que Júpiter seria a idade do homem onde ele aprende a usufruir com maior liberdade e leveza dos prazeres da vida, vivência o significado dos valores com maior maturidade e ponderação, as coisas tem mais brilho, pois ele escolhe o de melhor, já cansado da fartura e libertinagem, da euforia e gula, ele vive do que aprendeu.
Saturno é um construtor de ossos, seja desde nosso esqueleto até nossa estrutura ancestral. De onde viemos, nosso papel nessa encarnação como co-participante da reconstrução e evolução do Universo. Ele é o Rei e todos, seus súditos, pois ele detém o poder e determina a construção de seu Castelo. Ele cresce acreditando que conquistará seus objetivos, nem que para isso, abdique de muitas coisas pelo caminho. Suas perdas e fracassos cravam sua carne de marcas profundas, ele as esconde com vestes simples como esconde o ouro retirado das minas. Orgulhoso, esconde suas fraquezas, alimenta uma falsa fortaleza através de um forte controle durante quase toda uma vida. Seu maior medo é cometer erros, ser condenado. Ele tem os pés grossos ao caminha pela terra, consciente de em quem pisa e fere numa revanche, ele precisa dar o troco. Mas ele sabe até onde ir, mesmo que sonhe com mais, seu filho Sol nasce com seus limites traçados e, depende dele próprio o esforço e a luta. Muitas vezes ele lutará a vida inteira e será vaidoso do seu Reino, mesmo que  o Sol ainda se revolte e não compreenda o significado do tempo.
O tempo é como um manto negro que cai sobre suas costas e lhe pesará como um fardo sempre onde houver culpa ou vergonha.

A resistência em admitir seus erros, seus próprios limites, o  incomodo diante da proeza do outro, as dificuldades em admitir a necessidade de mudança, do se adequar, lhe faz se afastar de tudo o que lhe ameace o poder. Suas crenças se enfraquecem diante de um espírito empobrecido pelo medo. Por trás daqueles muros altos, existia um enorme medo em se submeter, tantos joelhos endurecidos na velhice, falam do pisar duro, da ostentação da autoridade,  como meio de afastar aqueles que pudessem lhe derrubar num sopro, bastasse tocar-lhe o coração empedrado a resistir a toda dor auto-imposta, muitas vezes o flagelo era uma auto-afirmação.
O tempo passou e hoje seu corpo murchou, encasquilhado nas juntas, e deformado na forma de lhe mostrar sua necessidade em aprender com a humildade, curvando-se, passando a mirar os pés e a bengala a lhe equilibrar os pequenos passos titubeantes que se arrastam , como parado, estivesse o tempo. Toda emoção resguardada, todo ressentimento é como uma mina que vaza lentamente pelos ossos e os tornam porosos, frágeis, quebradiços, viajando no processo degenerativo, o pó. O medo ainda assombra, seja o da solidão, do abandono, da limitação, pois o medo estanca o corpo, o orgulho não pede ajuda, o cérebro vai se obstruindo e parece que o mundo volta ao do tamanho de uma criança, brigando pela independência e auto-suficiência.

"Sábio é aquele que sabe que nada sabe e, pronto está a aprender ao fim de cada ciclo, podendo então contemplar a vida como um vale fértil diante das quatro estações."

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Solidão do Nós Dois - Um Caminho Só Seu





Quando me vejo diante de minhas encruzilhadas, são momentos de dolorida solidão, de um enorme esforço em ter que me erguer e seguir em frente. Meu Marte em Aquário simboliza isso divinamente, enfrentar o dragão não é para seres voadores, seres do ar. Isso de anar na linha reta como se estivesse indo para o fuzilamento é uma verdade verdadeira. Todo mundo sabe que por trás de uma grande solidão por fuga, existe o medo, o medo de dicar só, ou seja o medo de "ser só", do sentir-se sem amarras, sem elos. Urano quase sempre é um multiplicador de quebras, de explosões que dilaceram linhas de contato, de conduta, caminhos conhecidos.
O vazio uraniano é uma indefinição de cores que podem  ser  misturadas e pintadas novas aquarelas. Mas a princípio você sente a ausência do qu existira ali, conhecido e seguro por este fato. Primeiro você sente-se no Ar, a representação da Carta da Torre no Tarot fala disso, de você despencando numa noite escura de uma torre atacada por raios, de repente você está nua, na rua, sem nada a lhe proteger. 

Uma pergunta: 
Você fugiu para a torre para se proteger do que ou de quem?
Será que o medo leva a gente a temer descobrir e enfrentar a nós mesmos, a enfrentar o mundo imaginário do medo? Por isso nos escondemos em torres fantasiosas,  a nos esconder de quem nos apavora? Você vive agarrado com o medo, ele tem cara de Netuno ( o medo  imaginário), ele se disfarça nas desculpas mais esfarrapadas, te faz se disfarçar fisicamente, ficar inaceitável, suja, fedida, te faz esquizóide, te aliena.



Nesse caminho muito pessoal, de vencer a si mesmo, é preciso da solidão, por isso que "crise" é terapia, a gente emborca pra dentro e encontro o outro lá de dentro. Quanto mais íntima se torna essa relação do Eu consciente que em algum momento cai no fundo do polo de tanto fugir, com esse Eu Interior mais inconsciente, até que ele surta e a crise acontece.  É essa a solidão de nossos dois Eus, mesmo que venhamos a nos conhecer em circunstâncias nada felizes, é uma oportunidade fértil da gente se enrroscar na gente, ficar lá na crua consciência da dor, do fracasso, da morte e desilusão e, nessa intimidade toda, a gente se junta, e encontra um clamor maior em sobreviver.


 Talvez mergulhando nesse labirinto do medo você descubra um outro mundo , o teu inconsciente rico de imagens, histórias, lendas, e vai poder viajar por esse mundo fértil de fantasias que te façam sonhar de olhos abertos, que te façam trazer à luz toda a tua luz interior, todo o teu passado apreendido em teu interior.  Esse mergulho é um ato de coragem só seu! É ir em frente carregando o medo, não como um fardo ou  amuleto negativo, mas como a outra face das nossas ilusões, nosso negativismo existe, mas como sabemos, tudo é dual, daí podemos ter os dois lados da moeda juntos, buscando usufruir de cada um deles e assim encontrar esse nosso caminho do meio. É um meio-a-meio, você na sua melhor companhia, sua real intimidade, sua inspiração, sua reflexão, seu mndo interior que pode te suprir de quase tudo e é fonte de seu todo a despertar, seja do positivo ao negativo, ali guardado para ser vivido desde que você abra a porta e pise firme.


A opção é só sua, O Ego representado por Marte, o único e Netuno, o fantasma, se você Áries não fizer por você mesmo, buscar sua independência e autonomia, você poderá se jogar no poço fundo de qualquer coisa que te cegue os olhos e te desconecte com teu Eu inteirior, Peixes, tua relação de parte de um todo. Não fuja da vida, não fuja de si mesmo, por mais que seja um ENORME sacrifício, que exija muito esforço, tente, pois bovê ganhará VOCÊ DE VERDADE.