Pensamento

"Onde quer que o homem vá , verá somente a beleza que levar dentro do seu coração" . Ralph W Emerson

domingo, 26 de julho de 2009

Um Novo Caminho

Quantas e quantas vezes meus pequenos pés corriam saltitantes pela terra macia, ainda húmida do orvalho da manha. Era delicioso passear pelo mato, sol da manhã, e uma aventura ainda a ser vivida. Naquela época só existia o presente momento, quase noção me dispunha a questionar como e porque tinha ido parar naquele pseudo-paraíso, em certos momentos, uma prisão, sem algemas, mas que me fazia ser estagiária numa família que não era "minha", num lugar onde eu era passageira. Mas quando somos crianças o tempo não existe de fato, é como se a cabeça oca ainda estivesse sempre a captar e colocar encaixes para formatar imagens das cidades, do cotidiano, que hora se inveria, se destonava e , a criança fica é coadjuvante dessa história ainda. Quantas vezes em minhas viagens eu construía casas de cacos de tijolos, cozinhava arroz nas panelinhas ao sol do mei-dia. Um minuto era o bastante para sair correndo em direção à cozinha e ao cheiro de feijão. Á noite tudo se apagava, somento os lampões nos deixavam num clima noturno mesmo, nos restava conversar e dormir. Um dia , coloquei sapatos e voltei pela estrada, olhei para trás e vi meu avô lá parado em cima da bicicleta, se chapéu de palha, roupas empoeiras pela estrada. Não teve dor, mas estava me separando do que mais me era !caro!, nossa convivência amorosa. Fui andando, arrastando os sapatos no barro, tinha uma ponta de tristeza em meu coração, ao virar meu rosto , me deparei com aqueles mesmo olhar lá detrás, espelhado no rosto de minha querida mãe. Saí correndo em disparada e me joguei no seu colo, fui recebida nos seus braços e coberta de beijos saudosos, nunca mais nos separamos até sua partida final. Um novo caminho se colocou à minha frente, uma enorme precipício, rochoso, íngreme, lá embaixo um ar bravio, profundo, sempre muito negro. Criei um muro invisível e me afastei por anos, hibernei na casa da árvore, nos livros e livros pelas madrugadas adentro. De alguma forma eu vagava por entre as árvores da floresta e sem me dar conta, de novo, do tempo que era levado pelo vento frio e pelas nuvens que encobriam a luz do meu Sol. Um dia descobri uma caverna próxima a um lago, fria , úmida, era como um longo caminho, me vi diante daquela abertura, seria um caminho de fuga ou de me levar a um lugar encantado? Tudo havia se tornado breu, era hora de sair da temperança e encar a necessidade de mudança. Pisei com meus pés descalços no chão frio, parecia um caminho esculpido a mão, irregular e qe me sangrava a pele, ao mesmo tempo fontes de água límpida jorravam das pareces e me limpavam os pés e mãos. A travessia era longa, eu em transe, seguindo em frente, mais por instinto do que por coragem, mas omigo sempre foi assim, no fim existia Eu, mais ninguém, eu e minha angústia, meu medo encaixotado e me restava cumprir meu papel. De uma hora para outra surgiu uma luz no fim do túnel, tão dorte que me tomava o corpo me tornando translúcida, talvez ali eu tenho me vista "inteira" pela primeira vez. Destroçada, coração aberto, algo tinha se ido de mimmas ainda parecia uma história alheia à minha real existência. Com certeza real era a perda na minha transitória fase de desconexão. Enfim o Sol raiou e lá estava eu na praia a me bronzear na areia, a caminhar sobre as borbulhas da arrebentação, sem conchas pra guardar de recordação. Continuei preferindo praias desertas, eu fugia para as baladas, as comilanças, o burburinhos dos vendedores, o livre prazer de ter pequenos regalos. Um dia descobri que o passado me deixara minas e poços, uma riqueza a conquistar, de graça, só a graça divina mesmo. Começara o calvário e a negação da ambição ante ao medo do poder. Fácil e cômodo não querer mais nada, se contentar com pouco frente ao esforço e a dúvida cruel do fracasso. O Ouro de Tolo é uma grande lição da ilusão do poder aos controladores, viver pela metade, não ousar. Uns, como eu, nem a se desesperam chegam, somente contemplam à espera de uma solução. Um dia ela bate à nossa porta, entra sem pedir licença e se instala no sofá, agora fica impossível negar a urgência. E, de uma forma mágica, quando pego o cedro e a coroa e me coloco no trono, vejo lá de cima a minha trajetória, descobri pelos caminhos que andou, e que por ali aprendeu a sobreviver para assumir mais um parte de sua missão. Diante de uma ameça nasce uma guerreira que não admite morrer, que deseja viver até o fim de seus dias. Meus pés estão pesados e eu me arrasto pela terra, engatinho igual a um bebê curioso da vida. Agora é meu Sol que me guia.

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