Pensamento

"Onde quer que o homem vá , verá somente a beleza que levar dentro do seu coração" . Ralph W Emerson

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Natal - Tempo de Reflexão


Papai Noel é uma fantasia que quase  se transformou em Mito quando souberam utilizar a inocência da representação do "bom velhinho" que se dedicava a dar presentes a todas as crianças que se comportassem bem no mundo inteiro. Mas a bomba estourou e o bom velhinho virou um selo de maketagem para se vender presentes. Em algum lugar a fantasia netuniana da generosidade se diluiu e sobraram as crianças espertinhas que usam o "Papai" Noel para exigirem os brinquedos que desejam.
Crianças tem esses dois lados arianos, o egocentrismo de só pensarem no que desejam, sem levar em conta o que podem receber, são criança, e a real disputa com os coleguinhas do colégio, da rua, que choram e esperneiam para terem os brinquedos que os amigos tem.  Haja esquentação de orelha dos pais quando da proximidade do Natal. Pior é que o povo cai na conversa da mídia, se rende aos pedidos insanos dos filhos e gasta o que não tem, como se pudessem saciar a fome dos 365 dias de ausência, seja pelo trabalho, seja pela intensa vida social, que de alguma forma pudessem comprar "felicidade" num carrinho ou boneca e , estivesse ali cumprindo seu dever de pais. 
Eu acho muito interessante essa coisa de se comprar pessoas, algo bem comum ao signo de Capricórnio, sem precisar ser um uso indevido, é simplesmente uma desculpa para as faltas e ausências de um provedor. É uma compensação, uma armadilha na qual a maioria das crianças caem, são tragadas por imensos sacos de presentes , nem terão tempo em brincar com tudo aquilo, no fundo a presença e atenção dos pais seriam de maior proveito no desenvolvimento emocional dessas crianças.

Os pais meio que esqueceram desse pequeno detalhe, que não basta pagar escola cara, dar presente, compra roupa de grife, viagem para a Disney, excursão com os amigos da Escola. É preciso se doar,  mais do que dar sustento, pois a alma de uma criança carece de atenção, amor, proteção e isso se faz com presença e carinho. A família foi para o espaço, o modelo americano da reunião familiar à mesa nas refeições, dos bairros de casas idênticas, a escola do bairro. O sonho americano não se encaixou nesse país tropical, onde ainda se ganha menos para se trabalhar menos, se trabalha para sustentar as contas, os sonhos exibicionistas, onde se escolhe profissão pelo que menos irá se esforçar e puder ter um diploma fácil.
Mas é Natal e vale sim viver parte do que ainda existe do bom velhinho dentro de nós, a generosidade na lembrança dos que nos são caros, na reflexão de toda essa algazarra de consumismo, quase como uma negação da realidade. É uma frustração de todo mundo querer mostrar o que não tem, salvo os raros que se dão as mãos e se unem em oração antes da grande ceia farta, a agradecer por tudo que ganhou do universo.
Um Natal cheio de paz, amor e esperanças de renovações para o futuro.!
Beijos
San

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A Individualidade - Liberdade Uraniana


Venham até a borda, ele disse.
Eles disseram: Nós temos medo.
Venham até a borda, ele insistiu. 
Eles foram. Ele os empurrou...
E eles voaram.


Tudo na vida tem um preço, tudo precisa de um movimento, uma adequação para que haja uma mudança, algo que crie o novo. A vida é um processo cíclico, nascemos e continuamos a viver graças à nossa atitude diante da vida. Respirar é preciso, é preciso oxigenar  as células, renovar, fazer brotar novas instâncias que movam e mantenham o corpo-mente em contínuo trabalho. É preciso mais do homem, é preciso amor à vida, auto-preservação e num mesmo limiar, lá no outro extremo, o desejo de voar mais alto, de crescer, ampliar seus horizontes.
Quem somos nós  é uma eterna pergunta nesse mundo de caos onde somos grãos de areia frente a infinitude do universo e o massacre do poder pela sobrevivência. O homem diante da guerra por ser um "alguém", ele busca roupagens, títulos, acúmulo de valores, ele busca materializar sua identidade através do que faz, do quanto há em retorno de reconhecimento por parte do povo, da comunidade. Quanto maior é sua insegurança, mais é precisará provar sua identidade, mas ele se aprisiona às maquinações, acordos, crediários, modismos que a sociedade impõe e ele acredita que para ser parte dessa comunidade enlouquecida, precisará fazer das tripas, coração, e assim ser participante da roda da vida.
 Não é à toa que  Urano acontece na vida das pessoas, a princípio como um terrorista ou demolidor , talvez haja necessidade desses abruptos movimentos, que destroem as muralhas construídas como defesa  e acintosamente erguidas como forma de poder. O homem termina por se esconder por trás de tantas camadas de maquiagem, de tantas representações simbólicas com as quais ele projeta sua identidade, que termina numa impessoalidade total, onde seu rosto nada reflete de verdadeiro que lhe vai na alma. Ele caminha por entre os transeuntes e inconsciente da realidade que o cerca, seja pelas fortes correntes de crenças que o aprisionam a não questionar sua própria verdade, seja pelo limbo que se vai acumulando nas vidraças de sua janela, onde seus olhos já não alcançam a alma do seu próximo, a opacidade do cristalino minimiza o alcance, distorce os perfis delicados que traduzem emoções e sentimentos. Há um medo dentro de si mesmo de ter que "sentir", se tornar frágil à medida que  se aproxima dessa porosidade humana e antes que sua estrutura se "contamine", ele coloca distanciamento, e segue incólume pela calçada, sem nem mesmo se dar conta do belo que o rodeia em meio ao caos.
Um dia a tsunami bate à sua porte, invade sem pedir licença, indunda sua vida, carrega para longe toda a sua segurança, mistura todo mundo numa poça só, brancos, negros, pobres, ricos. Num minuto você está nú em meio aos destroços, sentindo-se mais um "fragelado", ou seja, o que restou de tudo o que de alguma forma de diferenciava de teu semelhante.
É... a vida é uma escola na qual a gente entra para aprender e não sabe no que sai formado ou formatado, tudo dependerá exclusivamente de nós, assimilar corretamente o ensinamento e usá-lo adequadamente. Essa é a diferença entre aquele que se esconde sob falsos muros de valores e o que busca a si mesmo, a construir seus próprios valores frente ao que lhe são impostos e manipulados pelos que de alguma forma são seus heróis-bandidos.
A diferença é que o caminho da individuação quase sempre acontece na vida através de uma ruptura, de um cotidiano descontinuo que te faz pensar no que era e no que agora destroçado, precisará ser renovado. Seja a busca pela felicidade ou realização profissional, seja pela auto-suficiência e liberdade de ser somente "você" de dentro para fora. O custo é alto, há uma necessidade de esvaziamento, do corte dos elos, de laços que limitam teu crescimento. É um caminho de certa solitude, de desapego sem no entanto haver desconecção, um propósito de transformar o individualismo egóico do "salve-se quem puder" no perseverante caminho da experimentação, renovação e a vida se tornando um carrossel de ondas que te levam no céu e de faz galopar pelo deserto no seu cavalo alado, onde essa liberdade é a união de todas as possibilidades, desde que você ouse ir mais além.







quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Tao Libriano : Amor e Guerra




Diante da dualidade  que o eixo Áries - Libra representa, o Eu versus o Outro, quase todos exergam o egoísta  e o bonzinho. Há uma associação muito superficial que distorce a realidade entre a infantilidade e egocentrismo ariano, que lhe apregoa uma divina intolerância agressiva muito mais como meio de defesa do que o desejo sincero de ira sobre o outro. Da mesma forma é a versão libriana daquela criança  comportadinha, bem educada e tolida em sua espontaneidade para parecer esteticamente perfeita.
Quando comentamos sobre associações da expressão de Libra, quase sempre esquecemos de pensar  do que se compõe esse signo (elemento AR + ritmo Cardinal + polaridade Masculina + regência de Vênus). Existe um movimento articulador na busca de conquistar um equilíbrio estético, se levarmos em consideração a necessidade em se relacionar, em se posicionar de forma a conquistar os outros para sentir-se pertencendo e Vênus é o catalisador da engenhoca sedutora e intelectual. O que Libra mais teme é a ira impulssiva e irracional de Áries, essa coisa largada no mundo, sem eira nem beira, se virando, começando sem terminar nunca. Ah... Libra arquiteta os pontos, liga os fios e programa as coisas, mas o mais importante é que, da mesma forma que Áries (Cardinal-Masculino), depende dele criar sua obra de arte, traçar seu destino. Com ele nada é por acaso, ele aprende desde cedo que precisa ser perfeito no que faz  para ser amado e reverenciado, só assim seu ego vaidoso poderá dormir em paz, e toda sua exigência  começa com ele próprio e Vênus o irá ajudar no jodo Poquer, inteligência, articulação e muita dissimulação.

Um dia Libra desperta depois de um soco no estômago, cara arranhada, nariz sangrando e descobre que a perfeição era só uma estética, ele engole a ira de sua frustração, se vira e vai embora de nariz em pé, orgulhoso e internamente ressentido. Sempre fez de tudo para ser aceito, ser o intermediador da paz na família e ainda não conseguia ser amado, sentir-se seguro com seu parceiro, no fundo todo o esforço nunca alcançou suas espectativas. Ele, diante da falta de atenção, de validação, tornou-se uma pessoa com sua auto-estima avariada, pois sempre via suas falhas, tinha um olho clínico para elas e começou a conviver com suas duas faces, aquela aparentemente "bela" dentro do contexto aceitável de felicidade a dois, seja ele com o outro ou ele consigo mesmo e, do outro lado a face oculta, a da realidade do fracasso, da dor da incapacidade de ser bom, de ser o melhor.

Planos e mais planos, projetos, horas   analisando tintin por tintin da conversa, da entrevista, dos próximos passos, ensaios mentais, discursos, horas gastas nessa complexa rede de intrigas. O desejo é enorme de ser livre de todas as enquetes montadas, mas ele se aprisiona numa camisa de força punitiva por todos os seus erros . É um esforço supremo manter o sorriso de bonzinho diante de uma caixa de pandora se abrindo em suas entranhas e assim começa sua guerra interna, o quanto custa precisar ser um personagem que é fictício e a dor de conviver com essa necessidade de ocultar seu lado fracassado, sua solidão íntima. Mesmo rodeado de amigos, casamento, filhos, uma casa "Claudia", ele sente uma raiva enorme de si mesmo ter construído isso tudo e sem coragem de desmontar o espetáculo.

Planetas pessoais em Libra, Ascendente e Meio do Céu em Libra são frequentemente atraídos por essa busca ilusória que termina num processo pessoal de um desligamento, um alienamento da realidade frustrada, uma falsa alegria sutilmente disfarçada numa pessoa inteligente, carismática, sedutoramente "perigosa" devido à sua extrema carência. Dona de inúmeros atributos, se levada pela mágoa do abandono, da falta de atenção, ela se tornará apenas uma representação, enquanto por trás dos bastidores ela trairá, violentará seu lado bonzinho e poderá se tornar má, extremamente má, detonando a guerra num único e último click no botão da bomba, destruindo quem a destruiu ou a representação daqueles que a rejeitaram.

Logo somente o silêncio reinará dentro dela, enfim a paz tão desejada, conquistada quando validou a si mesma antes de tentar obter esta validação do outro. O Amor próprio, o jogo do se relacionar criando espaço para a individualidade, o amor pondera e convive com a realidade falha do outro. Quanto mais nos vestimos de fantasia, mais difícil de nos reconhecerem como somos, nus.









terça-feira, 17 de novembro de 2009

Um Meme Para os que Pouco Sabem de Mim




Eu sou assim, uma mistura de terra firme, fértil, a rodear minhas águas plácidas à superfícies e profundas mar  adentro, sou pedaços a rolar com o vento, a endurecer com o frio , a se desmanchar sobre as pedras da encosta escarpada pelo tempo.
San_Flower

Meme Que Anjo me deu: 
1) Que horas são?
16:50

2) Nome?
Sandra
3) Quantidade de velas no seu último bolo de aniversário?
51 velinhas, não se enganem lendo "velhinhas".
4) Furos nas orelhas?
Sim
5) Tatuagens?
Nao. Ainda nao me deu vontade.
6) Piercings?
Never.
7) Já foi à África?
Nao, mas ainda irei.
8) Já ficou bêbada?
Nunca, no máximo "alegrinha".
9) Já chorou por alguém?
Sim, muitas vezes.
10) Já esteve envolvido em algum acidente de carro?
Nada drástico. O fusquinha veio a toda e deu com o engarrafamento numa subida e se enfiou na bunda do carro da gente, era Opala, alto, só quebrou o cano de descarga.
11) Peixe ou carne?
Carne.
12) Música preferida?
As Time Goes Bye com Carly Simon, I'm a Blue Bird, I Left My Heart in San Francisco, I Believe I can Fly, Olha - RC, Samarina - Simonal, Todo Azul do Mar - Tim Maia, Beatriz - Chico Buarque, O Amor em Paz - Ivan Lins, Maria Maria - Elis Regina.
13) Cerveja ou Champanhe?
Os 2 em ocasições distintas.
14) Metade cheio ou metade vazio?
Metade cheio.
15) Lençóis de cama lisos ou estampados?
De Listras.
17) Programa de televisão?
CSI, Globo Repórter
18) Filme preferido? 

Os em preto e branco dos anos 40, os musicais com Fred Astaire, os passados na II Guerra Mundial, Lendas da Paixão, O Último Samurai, E o Vento Levou, Cleópatra,  M. Butterfly, Nimitiz.
19) Está ouvindo alguma música agora?
Silêncio.
20) Flor(es)?
Margaridas num buquet enorme e copos de leite.
22) De que pessoa recebeu esse questionário?
Lukas.
23) Qual o amigo mais distante que você tem?
Meu amigo  Miguel em Portugal.
24) O melhor amigo?
Aquele que dá a mão quando a gente precisa.
25) Hora de dormir?
Adoro o frescor da noite, o silêncio da cidade na madrugada, sempre depois das 02:00.

26) Quem acha que vai responder esse questionário mais rápido?
Quem quiser.
27) Quantas vezes você deixa tocar o telefone antes de atender?
Até eu chegar pra atender.
28) Qual a figura do seu mouse-pad?
Liso na cor vinho.
29) CD preferido?
Raramente escuto CD.
30) Mulher bonita?
Sofia Loren, Farrah Fawcett
31) Homem bonito?
Richard Gere, Andy Garcia
32) Pior sentimento do mundo?
Mediocridade.
33) Melhor sentimento do mundo?
Amor de mãe.
34) O que uma pessoa não pode ter para estar com você/ter sua amizade/companhia?
Valores que vão de encontro aos meus num limite bem definido.
35) O primeiro pensamento que você tem ao acordar?

_Que horas são?
36) Se pudesse ser outra pessoa, quem seria?
Eu mesma mais melhorada, mais evoluída.
38) O que é que você tem debaixo da cama?
Os gavetões da cama.
39) Nome da pessoa que talvez não responda ao questionário?
Sei naum.
40) Aquele que com certeza vai te responder?
Xiiiiiiiiiiii, piorou.
41) Quem gostaria que te respondesse?
Quem tivesse tesão de fazê-lo.
42) Uma frase:


“Só se pode chamar sábio aquele que conhece a si mesmo, só forte o que se vence a si mesmo e só rico aquele que sabe o que lhe basta.”
 Lao Tse

terça-feira, 3 de novembro de 2009

De que Mundo Eu Sou? Serão Eles os Pequenos Abutres?



Faz algum tempo que ando me sentindo à margem desse cotidiano do caos. Se no início de minha adolescência eu era uma concha fechada a 7 chaves com medo da vida, era um zumbi a levitar pelo  ritual de estudos, saídas com amigos, muito rock and roll e dance music. Fui gradativamente tendo que encarar minhas escolhas, vivi crises, fugi de caminhos de sucesso, mas enquanto tinha costa quentes, a vida tinha chão, um falso piso vitrificado que não tinha sido construído com minhas mãos. A solidão era minha companheira junto com os romances empilhados na mesinha de cabeceira, mas eu ainda era uma criança num corpo de mulher, precisei estar só e frágil para que pudesse perceber o que me rodeava de verdade. O mar de gente que desde cedo vinha me mostrando e derramando sobre minha cara suas frustrações e azedumes passaram a ser sentimentos na minha carne emocional.  Eu era um alvo nada fácil, pois raramente fui uma pessoa invasiva, fofoqueira, perdi sim muitos amigos pela minha sinceridade, por expor meus valores distinto dos meus amigos. Talvez minha força em conviver com que a vida me traçava no caminho e me vazia defrontar com circunstâncias ou pessoas que muitas vezes eu não compreendia, mas minha atitude era fatalista, nunca corri do inevitável. Talvez essa forma de fuga da minha Lua capricorniana me fazia aos olhos alheios como duas colunas inabaláveis de mármore frio e resistente a quaisquer tempestades. O poder é uma ameaça àqueles que sabem-se fracassados, o ressentimento corrói e o veneno da inveja dilata a veias e faz o mísero arder e desejar de qualquer forma jogar aquele inabalavelmente mais forte no chão. Esse tipo de gente não tem amor, não foi criado com valores pessoais que lhe trouxessem auto-estima, eles mais dependem vencer derrubando os outros, são suas únicas vitórias, amargas por sinal, que raramente os fazem melhor, talvez consigam apenas sentirem-se igualmente frágeis, isso é o mínino que um  complexo de inferioridade ganha na vida, ser igual por baixo.

Eu mesmo que vivi zumbiando por anos, sempre tive amor dentro de mim, uma mãe de voz firme, dura, mas que juntas na dor, nos tonamos cúmplices na compaixão, somente porque desde sempre me senti amada e amparada por ela. Um Sol ariano idealista e inocente, sem muita malícia foi que me fez ser íntima de pequenos inimigos, levei tombos, choquei-me emocionalmente, impactada com a maldade alheia, tinha medo, era covarde e carente, mas enquanto não encontrei eu mesma e meu amor sarou minhas feridas, não pude ser forte interiormente. Hoje ainda peco pela inocência, mas continuo acreditando nas pessoas, acreditando que eu posso mudar as coisas a partir das minhas atitudes, do que eu sou e do que ensino, não como verdade , mas como caminho de auto-descoberta. A menina ainda vive, resiste  e cultivo-a, pois é quem me faz acreditar, me faz seguir e lutar para crescer sem perder a amorosidade. Crescer dói, a responsabilidade da vida é uma atenção constante de amor para com nossos sentimentos, nosso corpo, nosso bem-estar, consciência é lidar com essa realidade mentirosa, falsa, essa forçosa submissão ao poder dos grandes, que nos faz sobreviventes frente a total falta de liberdade de escolha, e nos aprisiona a sermos todos tão aparentemente parecidos, seja ao que nos roubam e ao que nos é imposto.

Por isso que eu continuo acordando a cada amanhecer levando meu barco a navegar, mesmo com medo da travessia por caminhos desconhecidos, mesmo com aqueles que ficam nas margens à espera de um naufrágio meu, eu ainda continuo viva e aceno de longe para todos, que de alguma forma, consciente ou não, me negam suas mãos, me negam uma palavra verdadeira, a compreensão do meu esforço e determinação, se calam numa torcida competitiva até onde irei... Ah mal sabem eles que é nessa minha companhia que me basto, como se agora fosse hora de estar no front da vida, livre dos medos que me atrasaram a chegada, mas que me deram o tempo necessário para crescer. Hoje cada horizonte tem um contador de dias a frente, uma ansiedade perene por tudo a realizar e uma certeza, de que navegarei  até onde tiver meu porto de regaço a me fornecer o conforto da morte serena de um coração satisfeito e pleno de luta e realização. Os fracos são meros espectadores que observam e invejam tudo o que acreditam não poderem ser. Não admitem mudar, encarar suas falhas, ou são vítimas da vid e acreditam que a vida deve a eles alguns privilégios, e mentem a ocultar suas imperfeições de caráter, diluídas em suaves e macias vozes sempre prontas a servirem de bengala aos necessitados. Mal se percebem que fazem de muitos suas próprias bengalas, usando-os  como se assim são "ganhadores".

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Louco - Fuga da Realidade ou Falta de Consciência?


A carta do Tarot de número 0 (zero) - O Louco, representa simbolicamente na maioria dos baralhos, o arquétipo de uma criança pura, a essência do homem diante da jornada da sua vida. Este estado  lembra o de uma pessoa levitando, ainda fora de contato com as experiências da vida, pode-se falar do espírito ainda não encarnado totalmente, não ciente de sua sina. É o bêbado na sua alterada e fantasiosa consciência, aquele ator que se dispõe do seu ego e  encarna os personagens, se acredita apenas um ser etéreo vestindo roupagens e vendendo ilusões,  e também é o equilibrista, na sua habilidade em passear pela linha no picadeiro, praticar esportes radicais e estar a um passo da morte, sem em nenhum momento se dar conta disso, é o palhaço que faz rir a criançada que existe dentro de cada um de nós, com suas piruetas e caras e bocas na sua simplicidade de mendigo bem humorado, mesmo que por trás da maquiagem exista alguém ainda  sem identidade.
O Louco é o nosso ASC no Mapa Astrológico, nossa partida no caminho do crescimento e aprendizado, em busca da consciência de quem ele é, de verdade. Um viajante,  aventureiro sem rumo, a fazer malabarismo nos cruzamentos, a lavar carros nos estacionamentos, mas um bom artista mambembe que leva sua trupe pelas cidades do interior, perseguindo suas ilusões de menino abandonado. O tempo fará do Louco um "Bobo da Corte", aquele que descobre precisar de máscaras e várias histórias para contar para cada gente diferente que ele vá encontrando pela estrada.

Existe um caminho à frente onde o Louco irá vivenciar as experiências de cada arquétipo e no seu dia a dia ele incorporar´aquilo que cada experiência e pessoa que cruza seu caminho lhe soma, faz com que ele se conheça a partir das reações que terá e como absorverá o ensinamento e a consciência de si mesmo diante do outro. Ele é um buscador, ele  encontrará encruzilhadas, obstáculos a contornar, inimigos tentarão lhe interromper sua busca,  mas  seu Eu Interior é seu guia, sua consciência, sua razão e percepção da sua capacidade de seguir adiante. Nesse caminho, que cada um de nós faz, fazemos escolhas que somente no futuro adiante poderemos avaliar, por isso é necessário aceitar os erros e suas consequências, usar do conhecimento adquirido, aquele do observador da vida, e usufruir do que a vida nos oferta a cada instante.
Parece "pobre" encontrar felicidade nas pequenas coisas, a ostentação é máscara do pobre menino rico, carente de amor e atenção, aquele que se enxerga  mendigo vestido com as roupas do Rei.
A loucura, a embriaguez, as drogas, são bifurcações  que optamos quando o caos  preenche e a fuga parece o melhor remédio. Qualquer coisa que cultivamos dentro de nós que nos cause dor, é o nosso limite, é quando não somos mais máscaras, somos alguém que cansou de se esconder. A dor, seja ela de qualquer origem, [e um pedido de socorro mudo, mas que numa curva nós vamos ter que encarar o estouro da boiada. Ou você se dopa, se mata, ou corre e se cura, essa é uma decisão íntima e pessoal, ou você decide a seu favor ou contra você, como diz a frase "Não deixe que nada te desanime, pois até mesmo um pé na bunda te empurra pra frente."
Vai doer, tem sacrifício, você tem que se convencer do que é melhor pra você, por vezes existem umas ajudinhas, alguns GRANDES MOTIVOS  que nos movem a mudar. Cada passo no caminho, existe uma clara visão da sua presença na vida, ali de pé, frente a você mesmo. Enfim você se encontrou e se comprometeu a viver livre de todos os medos que  te impediam de voar, mesmo que seja na mente de um homem digno da vida que ganhou.
Vamos, venha, me dê sua mão, vamos contar histórias, ganhar o mundo e continuar ensinando aos outros que tudo pode ser bem maior do que você enxerga, basta ver para que faça parte de seu mundo interior e, este se refletirá por onde você passa.

sábado, 17 de outubro de 2009

Um desejo...



"Que o caminho seja brando a teus pés.
Que o vento sopre leve em teus ombros.
Que o sol brilhe cálido sobre tua face.
Que as chuvas caiam serenas em teus campos.
E, até que de novo eu te veja, que Deus te guarde na palma da mão. "

Bênção Irlandesa
 Bom fim de semana.
Beijos


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Diante do Nada, Existe o Meu Mundo Interior


Pensava eu como um insignificante grão de areia durante aquelas crises devastadoras que arrancava de mim tudo o que possuía como verdade e nua num deserto eu ficava. Um enorme vazio, um gosto amargo na boca e uma enorme estagnação emocional pelo choque.  Talvez seja minha Lua em Terra - Capricórnio, que a princípio congela, estanca a dor, afastando-a, colocando-a de lado, talvez junto venha minha Vênus pisciana que tende a levar longe essa agonia do sentir e dura o tempo que precisar até se extinguir.


O deserto é um bálsamo para aqueles que sofrem com o orgulho, o silêncio que sopra o que negamos ouvir no turbilhão do cotidiano, os que se protegem em torres por trás de muros altos, vozes autoritárias, rigidez e uma fortaleza aparente, digo aparente, pois ela existe como uma armadura de um cavaleiro romântico. Ao se despir a alma solitária é aquela seguida por sua eterna cúmplice, sua sombra. Uma realidade versada numa dupla cobrança dos erros e de onde houveram falhas que a puseram a vagar pelo imenso deserto. Nessa vastidão  existe uma beleza única, um movimento natural das dunas que se movem ao sabor do vento e em harmonia com a lua do sol. Ali nossas pegadas são passageiras, nada ali existe para sempre, tudo mutável, tudo passível da desordem emocional.
Por algum tempo serão as faltas a reclamarem no seu corpo, depois serão as noites, eterna escuridão, a criar fantasmas, a imaginar oásis, mas o Sol - o Deus Hélio, traz consigo a verdade com sua luz, e em algum momento sou um simples grão de areia nesse imenso universo de iguais, porém, à medida que me ajoelho e me deito nesse chão, meu corpo percebe seus contornos, a pele macia a ser acariciada pela brisa, como se fossem véus a me cobrir a pureza da alma. Eu me volto sobre meus próprios pés descalços e me dou conta de quem sou diante do nada metafórico, se foram pedaços de mim, cá dentro de mim, existe um oásis, meu mundo interior.

Dentro de mim sou nascente, botão em flor, desejo, ânsia, espírito que cresce, que jamais desiste de "morrer" à mingua,  diante da maldade humana, no confronto com a mesquinhês e a ganância daqueles  fracos e carentes de dignidade. Hoje, a dimensão que tenho de minha pessoa é menor do que há 30 anos, quando eu erguia o queixo e nos meus saltos 10, abusava da onipotência como espada. Usei do amor como curativo nas minhas feridas, cultivo meu oásis em pleno deserto e não deixo que contaminem minha nascente de águas transparentes. Sou minha verdade doa a quem doer, minha dignidade está em continuar sendo quem construí de mim, continua a cultivar flores pelo caminho, para nunca esquecer de que ainda posso ser exemplo do bem.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Da Escuridão em Busca da Luz


O Rio da vida carrega a gente  através da força de suas correntes, esse mundo que nos mantém vivos, nos alimenta, é um caminho obscuro quando no leme existe alguém sem ideais, crenças, somente a lua a guiar-lhe  à frente através das sombras e canais  e bancos de areia. O "leme" do homem é  não é sua razão, a mão que decide, que comando milhares de seguidores, é sim, sua capacidade perceptiva, que na falta da "luz" da consciência, essa mão se torna cega, radical e obsoleta, sobrando ao homem captar os sinais da natureza a dizer-lhe o caminho até onde deve chegar.


Dias e noites aquele homem segue em frente, enfrenta tempestades, descobre novas terras, mas pouco percebe de si mesmo no comando de sua vida. Nega a possibilidade de novas descobertas, se retrai diante da própria  evolução, diante do medo, ele trafega por  fortes correntezas e pode talvez naufragar na sua ignorância. Lutando nas águas geladas  em redemoinhos, o homem se debate furiosamente lutando para sobreviver, mesmo que  segundos antes nem atentava à presença da "morte" a lhe rondar cegando-o sobre sua verdade.

Diante do desafio da vida, a maioria de nós "se salva", seja por instinto marciano, seja pelo poder de criar a o limiar vida-morte, aquele conhecido túnel de passagem, bem conhecido pelos que lá chegaram e retornaram. Há sempre escolhas neste momento, mas aqui neste umbral fictício, você, fora do corpo, desconectado do timão de Plutão, podemos mais levitar pelas brumas  de Netuno, rodando por entre os corpos moribundos. Diante da morte certa, em confronto com a ameaça do fim, nossa alma vaguea de volta ao corpo, carcumido  pela dor, pelas perdas de infinitos momentos desprezados pela ansiedade da corrida competitiva do ter e não ser nada.
Diante daquele corpo jogado aos vermes, a plena consciência de sua essência  sabe-se eterna, talvez ainda não consiga a compreensão do evento. Sabe-se vivo, pleno de sentimentos, sentidos alerta, o murmúrio das ondas a bater nas pedras, o cheiro das tochas em chamas, os pés frios balançam no barco, em direção ao teu destino.

A noite é puro ouro, a pele dourada brilhante de óleos aromáticos, cordas puxam o barco por entre pequenos afluentes, como forças  a lhe direcionar pelo iluminados  corredores que vão se estreitando como braços que te abraçam e te carregam por entre  os porões do castelo. Fugitivos  correm agaichados e a luz é turva, tudo se resume a um monte de feno que acolhe os corpos ardentes e bocas sedentas de um sabor desconhecido. Uma procura lenta e cruel como a se provar a extensão real do tempo, a procura dos olhos e a luz da alma a passar mensagens que inundam o ser tensa satisfação, que vibra, a eternidade do ser por inteiro.
O tempo inexiste quando almas renascem, quando mentes despertam, quando o amor acontece, uma flor nasce em sinal de .... começar de novo, sem que exista fim, só começo.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Saturno Quanto Maior Resistência, Mais o Medo é Ameaça


O sábio talvez seja aquele que se aliou ao tempo no meio da vida e juntando passado e futuro, ele somente é um atento passageiro do presente. Sábios, mestres, são poucos. A filosofia Sufi "estar no mundo sem ser do mundo" fala muito dessa contemplação do espírito enquanto a matéria transita pela terra construindo um caminho de peregrino solitário. Falam que Júpiter seria a idade do homem onde ele aprende a usufruir com maior liberdade e leveza dos prazeres da vida, vivência o significado dos valores com maior maturidade e ponderação, as coisas tem mais brilho, pois ele escolhe o de melhor, já cansado da fartura e libertinagem, da euforia e gula, ele vive do que aprendeu.
Saturno é um construtor de ossos, seja desde nosso esqueleto até nossa estrutura ancestral. De onde viemos, nosso papel nessa encarnação como co-participante da reconstrução e evolução do Universo. Ele é o Rei e todos, seus súditos, pois ele detém o poder e determina a construção de seu Castelo. Ele cresce acreditando que conquistará seus objetivos, nem que para isso, abdique de muitas coisas pelo caminho. Suas perdas e fracassos cravam sua carne de marcas profundas, ele as esconde com vestes simples como esconde o ouro retirado das minas. Orgulhoso, esconde suas fraquezas, alimenta uma falsa fortaleza através de um forte controle durante quase toda uma vida. Seu maior medo é cometer erros, ser condenado. Ele tem os pés grossos ao caminha pela terra, consciente de em quem pisa e fere numa revanche, ele precisa dar o troco. Mas ele sabe até onde ir, mesmo que sonhe com mais, seu filho Sol nasce com seus limites traçados e, depende dele próprio o esforço e a luta. Muitas vezes ele lutará a vida inteira e será vaidoso do seu Reino, mesmo que  o Sol ainda se revolte e não compreenda o significado do tempo.
O tempo é como um manto negro que cai sobre suas costas e lhe pesará como um fardo sempre onde houver culpa ou vergonha.

A resistência em admitir seus erros, seus próprios limites, o  incomodo diante da proeza do outro, as dificuldades em admitir a necessidade de mudança, do se adequar, lhe faz se afastar de tudo o que lhe ameace o poder. Suas crenças se enfraquecem diante de um espírito empobrecido pelo medo. Por trás daqueles muros altos, existia um enorme medo em se submeter, tantos joelhos endurecidos na velhice, falam do pisar duro, da ostentação da autoridade,  como meio de afastar aqueles que pudessem lhe derrubar num sopro, bastasse tocar-lhe o coração empedrado a resistir a toda dor auto-imposta, muitas vezes o flagelo era uma auto-afirmação.
O tempo passou e hoje seu corpo murchou, encasquilhado nas juntas, e deformado na forma de lhe mostrar sua necessidade em aprender com a humildade, curvando-se, passando a mirar os pés e a bengala a lhe equilibrar os pequenos passos titubeantes que se arrastam , como parado, estivesse o tempo. Toda emoção resguardada, todo ressentimento é como uma mina que vaza lentamente pelos ossos e os tornam porosos, frágeis, quebradiços, viajando no processo degenerativo, o pó. O medo ainda assombra, seja o da solidão, do abandono, da limitação, pois o medo estanca o corpo, o orgulho não pede ajuda, o cérebro vai se obstruindo e parece que o mundo volta ao do tamanho de uma criança, brigando pela independência e auto-suficiência.

"Sábio é aquele que sabe que nada sabe e, pronto está a aprender ao fim de cada ciclo, podendo então contemplar a vida como um vale fértil diante das quatro estações."